María Corina Machado acumula sete tentativas frustradas de retornar à Venezuela
A líder opositora venezuelana María Corina Machado tentou retornar à Venezuela sete vezes desde que deixou o país rumo à Europa, em dezembro de 2025. Atualmente no Panamá, ela enfrenta obstáculos logísticos e resistência diplomática para conseguir reentrar em território venezuelano, onde busca liderar a transição política interna.
Nas últimas 24 horas, três novos planos foram frustrados. O primeiro previa uma viagem de barco saindo do Panamá, mas uma falha mecânica no motor da embarcação cancelou a partida. Sem a rota marítima, a equipe tentou voos para Aruba e Curaçao, ilhas vizinhas à costa venezuelana. Problemas administrativos e a falta de autorização das autoridades locais impediram que o avião seguisse viagem. Bonaire também foi cogitada, mas descartada.
Desde junho, outras tentativas falharam por motivos distintos. Em uma delas, um avião privado que partiu da Virgínia, nos Estados Unidos, recebeu ordens para retornar ao aeroporto de origem durante o voo. Em outra ocasião, ao tentar embarcar em um voo comercial da Copa Airlines, a companhia teria sido alertada pelo regime venezuelano de que o transporte da opositora colocaria em risco suas operações no país. Há ainda o problema do passaporte venezuelano de María Corina, que está vencido. Para viajar, ela utiliza agora um documento diplomático especial concedido pelo Panamá.
A relação de Washington com o retorno de María Corina é complexa. Embora o governo Trump negue ter dado ordens diretas para mantê-la fora da Venezuela, integrantes da gestão americana demonstraram irritação com as movimentações da opositora durante a emergência dos terremotos recentes. O temor é que sua presença aumente a tensão política enquanto os EUA coordenam ajuda humanitária com o governo interino de Delcy Rodríguez. Relatos indicam que funcionários americanos chegaram a pedir reservadamente que ela adiasse o retorno para não interferir nas negociações econômicas em curso.
Desde a captura de Nicolás Maduro em janeiro, a Venezuela é governada interinamente por Delcy Rodríguez, que conduz a transição com apoio de Washington. O governo americano foca na estabilização econômica e na cooperação em áreas como o petróleo antes de realizar novas eleições. María Corina e a Plataforma Unitária Democrática, no entanto, não participam das principais negociações atuais. A oposição critica esse modelo, pressiona por uma votação imediata e defende que acordos de longo prazo sobre recursos naturais só devem ser assinados por um governo eleito democraticamente.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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