Mais rápido que a F1: a categoria extrema do automobilismo em que as mulheres são as maiores vencedoras
A categoria de arrancada Top Fuel é hoje a única modalidade de elite do automobilismo em que as mulheres vencem os homens com frequência na disputa pelos principais títulos. Os dados são da reportagem da BBC, que ouviu pilotos e pesquisadores do setor.
Conhecida como o esporte mais rápido do planeta, a Top Fuel tem corridas que duram cerca de quatro segundos e atingem mais de 480 km/h. Os carros saem de zero a 160 km/h em menos de um segundo, e os pilotos enfrentam força G superior à sentida por astronautas durante um lançamento ao espaço. A velocidade oficial mais alta já registrada na modalidade passa de 558 km/h, bem acima dos mais de 372 km/h de um Grande Prêmio de Fórmula 1. As provas acontecem em pista reta de 305 metros, normalmente com dois carros competindo entre si, e os veículos usam paraquedas para reduzir a velocidade após a linha de chegada.
Segundo o grupo ativista More Than Equal, as mulheres representam cerca de 10% dos participantes do automobilismo e apenas 4% das pilotos de elite. Na Top Fuel, porém, elas são 20% dos pilotos nas temporadas americana e europeia. A entidade classifica a modalidade como "a categoria automobilística com maior igualdade de gênero do mundo".
As mulheres conquistaram sete dos últimos nove campeonatos europeus de Top Fuel. A sueca Susanne Callin, de 43 anos, garantiu o bicampeonato europeu em setembro, na pista de Santa Pod, no Reino Unido, e afirma nunca ter se sentido menosprezada como mulher no esporte. Nos Estados Unidos, a recordista Brittany Force venceu o campeonato da National Hot Rod Association (NHRA) em 2017 e 2022. A pioneira foi a americana Shirley Muldowney, primeira mulher a obter licença para a Top Fuel e primeira piloto a conquistar três títulos da NHRA, em 1977, 1980 e 1982.
Para Fran Longstaff, chefe de inovação da More Than Equal, as corridas de arrancada são "altamente incomuns" no automobilismo. Ela aponta como fatores para a igualdade a presença de modelos femininos visíveis, a estrutura de base acessível, os programas para jovens, os boxes abertos e uma cultura colaborativa e familiar. Pesquisas conduzidas por ela e outros estudiosos não identificaram fatores físicos ou biológicos que expliquem a diferença. A modalidade também mostra que é possível ter sucesso após a maternidade: Callin ficou mais de uma década afastada para criar a filha e as enteadas e retornou aos 35 anos, enquanto a finlandesa Anita Mäkelä venceu quatro campeonatos europeus, três deles após um intervalo de seis anos dedicado aos filhos e à granja da família.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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