Lula ou Flávio: quais são as propostas para tirar os brasileiros das dívidas?
O endividamento das famílias brasileiras passou a ocupar o centro do debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final das eleições de 2026. No primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band neste domingo (18), os dois candidatos apresentaram propostas para renegociar débitos, reduzir juros e devolver poder de compra aos consumidores. Ambos defendem algum grau de participação do governo na renegociação, mas as estratégias e o alcance dos programas são distintos.
O que propõe Lula
A principal aposta do petista é a ampliação do Desenrola Brasil. A modalidade lançada em maio permite que pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, renegociem dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, com descontos que variam de 30% a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses. Na campanha, Lula passou a defender uma nova etapa voltada a débitos mais antigos. Em sabatina à TV Globo, na sexta-feira (16), afirmou que uma medida provisória em tramitação na Câmara prevê um leilão para a compra, pela União, de dívidas superiores a dois anos e de até R$ 4 mil, com expectativa de descontos entre 90% e 95%. A medida ainda depende de avanços legislativos e de regulamentação. No debate, o presidente voltou a citar a participação da Caixa Econômica Federal no processo. Outra frente é o programa Prospera MEI, que prevê o perdão de aproximadamente R$ 12,7 bilhões em débitos de microempreendedores individuais e apoio financeiro de até R$ 5 mil por empreendedor. Para Lula, a renegociação deve vir acompanhada da recuperação da renda: "A melhor forma de você resolver o problema da dívida desse país é a economia voltar a crescer", afirmou.
O que propõe Flávio Bolsonaro
O senador apresentou uma intervenção mais ampla, voltada a famílias e empresas. Pela proposta, o governo compraria dívidas de instituições financeiras com desconto, reduzindo o valor devido pelos consumidores, que teriam um período sem pagamentos antes de retomar as parcelas. "Para você que é pessoa física, vai ficar seis meses congelado, parada a sua dívida. Você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano", disse. Flávio afirmou ainda que parcelas hoje entre R$ 100 e R$ 200 poderiam cair para R$ 20 ou R$ 30, com financiamentos mais baratos e prazos maiores. O candidato condiciona a viabilidade da medida à queda dos juros e sustenta que a melhora das expectativas econômicas com uma eventual vitória abriria espaço de mais de R$ 200 bilhões no orçamento, sem apresentar cálculos detalhados. Seu programa de governo prevê transformar a Caixa no "Banco da Prosperidade", com crédito, orientação financeira e apoio a pequenos negócios, além do mecanismo "Ganha-Ganha", que oferece condições melhores de financiamento a quem mantiver as contas em dia, concluir cursos ou formalizar atividades econômicas. A candidatura também defende ajuste fiscal para reduzir o custo do crédito, sem cortar programas sociais, mas as medidas ainda não foram detalhadas integralmente.
As diferenças
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