Lula na Globo: o que disse o candidato na 2ª entrevista à emissora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou nesta quinta-feira (15/10) da segunda entrevista concedida por um presidenciável à TV Globo. Ele foi o primeiro sabatinado, conforme sorteio da emissora que definiu a ordem das participações, e a conversa foi conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno marcado para 25 de outubro, será entrevistado nesta sexta-feira (16/10).
Durante a entrevista, Lula respondeu sobre temas como a relação com o presidente americano Donald Trump, o caso Master e o endividamento das famílias. Um dos pontos de destaque foi a segurança pública. O petista afirmou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos — a primeira manifestação dele na campanha apoiando a medida. "Enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo eu sou favorável a diminuir a penalidade", disse, confirmando em seguida que se referia à maioridade penal.
O tema ganhou espaço na campanha após a retirada da pauta do Senado, na mesma quinta-feira, de uma proposta de emenda à Constituição sobre segurança pública de autoria da Presidência. Na tramitação, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, apresentou emenda que reduzia a maioridade penal como regra geral para 16 anos e para 14 anos em crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. Em resposta, o senador Camilo Santana (PT-CE) propôs emenda mantendo os 18 anos como regra geral, mas baixando para 16 anos nos casos de crimes hediondos — medida que enfrentou oposição entre aliados do próprio governo.
Sobre a relação com os Estados Unidos, Lula disse manter boa relação com Trump e afirmou que seu governo segue negociando. "Acho que vamos chegar ao acordo", declarou. Ele citou números da balança comercial para sustentar a avaliação de que o Brasil tem margem de negociação, mencionando perdas de 9% nas relações comerciais com os americanos e a ampliação do comércio com países como China, Indonésia, Alemanha e Vietnã, além de outros 50 países. O presidente também voltou a contestar a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA, dizendo que PCC e Comando Vermelho são terroristas para comunidades e cidades brasileiras, mas não se enquadram no que chamou de terrorismo de Estado.
Lula defendeu ainda a ampliação da atuação do governo federal na segurança pública e prometeu criar o Ministério da Segurança Pública, com a atribuição de redefinir e organizar o papel de órgãos como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Ele também mencionou a Lei Antifacção, sancionada em março, que aumentou penas para líderes de facções e milícias, e a PEC da Segurança Pública, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que aguarda votação em plenário.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar