Lucros crescem, ações caem: o paradoxo da temporada de balanços
Balanços do 2º trimestre: lucros crescem, mas ações caem na Bolsa
Os lucros das empresas brasileiras cresceram no segundo trimestre, mas o avanço dos resultados não foi acompanhado pela Bolsa. Levantamento da XP mostra que as ações do Ibovespa caíram, em média, 1,32% no pregão seguinte à divulgação dos balanços. A reação negativa foi generalizada: papéis de companhias que frustraram expectativas recuaram 2,69%, enquanto até os que superaram projeções tiveram queda média de 0,12%.
O desempenho marca a temporada com as reações de mercado mais fracas dos últimos seis trimestres, segundo a XP. Nos cinco períodos anteriores, surpresas positivas eram, em geral, premiadas com valorização das ações — prêmio que desapareceu agora. O estudo, assinado pelos estrategistas Fernando Ferreira, Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello, reúne dados das empresas acompanhadas pela casa.
O movimento ocorreu mesmo com crescimento agregado dos resultados. Na cobertura da XP, as empresas registraram alta anual de 11,7% na receita, 22,5% no Ebitda e 22,2% no lucro líquido. O desempenho, porém, foi concentrado: Óleo & Gás teve peso importante, com Ebitda 79,7% maior na comparação anual. Excluindo commodities, os avanços caem para 9,6% na receita, 5,2% no Ebitda e 5,8% no lucro líquido.
Os balanços chegaram a um mercado já pressionado. Entre 21 de julho e 14 de agosto, o Ibovespa recuou 3,7% em reais e 6,7% em dólares, enquanto o MSCI ACWI avançou 3,9% em dólares. No período, houve saída de R$ 15,3 bilhões de capital estrangeiro da Bolsa, com aumento da volatilidade eleitoral. Dos 17 setores analisados, 11 caíram após os balanços, com destaque para Saneamento (-5,4%), TMT (-4,2%) e Saúde (-3,9%). Educação teve a melhor reação, com alta média de 5,8%.
A cautela também atingiu as projeções: as estimativas de lucro por ação para 2026 foram reduzidas em 2,8% e as de 2027, em 0,9%, revertendo revisões positivas dos dois trimestres anteriores. No lucro líquido, 41% das empresas superaram as estimativas da XP, ante 45% no trimestre anterior — a menor proporção de surpresas positivas da série histórica da casa, iniciada no 1T23.
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