Israel vai às urnas: o que está em jogo e qual a força de Netanyahu e da oposição?
Cerca de 7,3 milhões de israelenses estão aptos a votar nesta terça-feira (27) para escolher entre 38 partidos a composição das 120 cadeiras do 25º Knesset, o parlamento do país. O parlamento é o responsável pela escolha do primeiro-ministro, e as pesquisas não apontam favorito para alcançar as 61 cadeiras necessárias para formar maioria — nem entre os partidários de Benjamin Netanyahu, nem entre seus opositores.
Em eleições passadas, foram formados governos minoritários, como os liderados por Yitzhak Rabin e Shimon Peres, em 1993 e 1996, mesmo sem que os partidos de suas coalizões atingissem essa maioria. Neste ano, porém, a tarefa de obter apoio de partidos fora da coalizão de governo ou da oposição está mais complicada. A ausência de uma coalizão majoritária após a votação pode postergar a decisão para o ano que vem, quando seria realizada nova eleição.
O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, lidera o partido governista Likud e tenta se manter no cargo. Por ser a primeira eleição de Israel desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, seria natural que a escolha se tornasse um referendo sobre a atuação do chanceler durante a crise que motivou as guerras contra o Hamas em Gaza e contra o Hezbollah no Líbano. Netanyahu, no entanto, tem sofrido desgaste nos últimos anos, pressionado tanto pela oposição, que o acusa de algum grau de responsabilização pelos ataques, como pelos ultraortodoxos, contrários ao serviço militar obrigatório. O custo de vida mais alto por conta do conflito e da guerra contra o Irã também pesa nessa conta.
A principal força de oposição é o partido Yashar, do general aposentado Gadi Eisenkot, que deve conseguir mais cadeiras nesta eleição, mas ainda abaixo dos 61 assentos necessários. Eisenkot é um estrategista militar condecorado que se aposentou em janeiro de 2019 após servir como chefe do Estado-Maior desde 2015, com quatro décadas nas Forças de Defesa de Israel. Mesmo tendo participado do gabinete de guerra de Netanyahu na fase inicial do conflito contra o Hamas, divergiu e depois rompeu com o primeiro-ministro por questões como a prioridade na recuperação dos reféns do 7 de outubro e sobre a nova frente de combate no Líbano.
Ambos os principais lados da disputa são contrários à criação de um Estado palestino, o que afasta a possibilidade de partidos da minoria árabe em Israel, como o Ra'am e o Joint List, entrarem em alguma coalizão. No bloco de Netanyahu estão o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, do partido de extrema-direita Otzma Yehudit; Aryeh Deri, líder do partido religioso ultraortodoxo Shas; e o ministro das Finanças Bezalel Smotrich, da lista conjunta Sionismo Religioso-Zehut. No bloco anti-Netanyahu, além de Eisenkot, estão o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, do Bennett 2026, e o líder da oposição Yair Lapid, do centrista Yesh Atid, grupo ao qual podem se unir Yair Golan, ex-vice-chefe do Estado-Maior, e o ex-ministro das Finanças Avigdor Liberman, do Yisrael Beiteinu.
Para o think tank Council on Foreign Relations (CFR), o resultado é difícil de prever, tanto pelas divisões dentro da coalizão de Netanyahu no atual Knesset como porque o bloco de oposição ainda não concordou em um nome de consenso para suceder o primeiro-ministro. Israel é conhecido por negociações de coalizão prolongadas, e pequenos partidos podem surgir como grandes atores, entre eles o Amcha Yisrael, do general aposentado Ofer Winter, e a lista Reservistas-Economia, de Yoaz Hendel e Yaron Zelekha. O CFR aponta três saídas para a confusão matemática: um governo rotativo, com Eisenkot e Netanyahu trocando de lugar após um tempo acordado; uma coalizão com partidos árabes; ou uma união de forças com partidos ultraortodoxos.
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