Indecisos dobram na reta final e colocam Flávio em alerta, avalia cientista político
O crescimento do eleitorado que não declara voto espontaneamente em nenhum candidato na mais recente pesquisa Quaest pode funcionar como sinal de alerta para Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do segundo turno. A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), para quem o movimento pode refletir a estratégia de Lula (PT) de questionar as propostas do adversário e associá-las a riscos para programas sociais.
No levantamento divulgado nesta quarta-feira (21), o índice de indecisos na modalidade espontânea subiu de 7% para 14%. O dado contrasta com outro resultado da mesma pesquisa: cerca de 90% dos entrevistados afirmam que não pretendem mudar de voto. Para Medeiros, a combinação não indica necessariamente ampliação do eleitorado disponível aos dois candidatos. A disputa segue marcada por alta fidelidade das bases, mas parte dos eleitores menos identificados politicamente pode estar reconsiderando a preferência.
“Esse eleitor que estava mais propenso a votar numa alternativa eleitoral de mudança passa a enxergar agora o futuro com certa desconfiança, com medo de dar um passo além da alternância de poder”, afirmou o professor em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney. Segundo ele, a campanha petista conseguiu explorar uma vulnerabilidade do senador, que se beneficiou da força do sobrenome Bolsonaro e do sentimento de oposição ao governo, mas ainda precisa apresentar suas próprias posições a uma parcela do eleitorado.
Na leitura de Medeiros, a ofensiva de Lula sobre o futuro de benefícios sociais e outras políticas públicas contribuiu para despertar dúvidas entre pessoas que inicialmente consideravam votar no senador. “Essa tática de campanha mais agressiva de Lula começa a colher dividendos, e esse número mostra exatamente isso”, disse. O professor ressalta, porém, que o quadro não configura vantagem automática para o petista, já que ele não conseguiu converter esses votos. Uma possibilidade é que parte desse eleitorado opte por voto branco ou nulo, ou deixe de comparecer às urnas.
A pesquisa também apontou redução na rejeição dos dois candidatos, em intensidades diferentes: a de Lula caiu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio passou de 54% para 52%. Para o cientista político, a diferença reforça a necessidade de o senador reduzir resistências entre eleitores que não se identificam com nenhum dos dois campos. Medeiros cita entre os independentes segmentos como jovens, mulheres de baixa renda e moradores do Sudeste. No levantamento, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula, diferença de um ponto percentual dentro da margem de erro. “Esse comportamento pendular desse eleitor independente vai ser muito decisivo nessa reta final”, afirmou.
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