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Houthis do Iêmen estão aprendendo a se armar por conta própria

Atualizado em 16/09/2026 às 08:35 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A imagem mais difundida dos rebeldes Houthis do Iêmen é a de combatentes em carrocerias de picapes, disparando fuzis AK-47 para o alto no deserto. Nos últimos anos, porém, o grupo passou a lançar mísseis de longo alcance contra Israel, a mais de 1.600 quilômetros de distância, e a atacar o tráfego de navios no Mar Vermelho com drones navais. Evidências apontam para uma ambição crescente: usar inteligência artificial e outros meios para produzir armamentos mais avançados por conta própria, reduzindo a dependência de seus patrocinadores no Irã.

Embora sejam apoiados por Teerã, os Houthis permaneceram por meses à margem dos combates na região. A situação mudou em julho, quando declararam um bloqueio marítimo à Arábia Saudita. Desde então, avançaram para o sul e tomaram a histórica cidade portuária de Mokha, além de capturar ilhas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, ampliando o controle sobre o ponto de estrangulamento na extremidade sul do Mar Vermelho. "Eles usam todas as oportunidades para construir sua capacidade, para testar sua capacidade, de modo que agora são o ator não estatal mais letal de todo o Oriente Médio", afirmou Timothy A. Lenderking, ex-enviado especial dos EUA para o Iêmen, em fórum do Middle East Institute.

Um relatório da Anthropic sobre uso indevido de IA relatou que "uma célula de agentes de ameaça baseada no norte do Iêmen", reduto dos Houthis, usou o sistema Claude em "um esforço sustentado para desenvolver armas guiadas". Apesar das salvaguardas da empresa, a célula teria avançado até o teste de disparo de um foguete guiado. Segundo o relatório, o grupo tentou desenvolver um míssil balístico de múltiplos estágios com alcance superior a 1.900 quilômetros e um veículo de planeio hipersônico, escondendo o verdadeiro propósito dos sistemas de orientação. A Anthropic disse não haver evidências de que tenham conseguido colocar um dispositivo operacional em campo.

Os Houthis ainda dependem do Irã para os componentes mais sofisticados de drones e mísseis balísticos, mas se tornaram mais avançados na construção de seus próprios sistemas de armas. Peças maiores, como chassis de mísseis, já são fabricadas em território controlado pelo grupo, em vez de enviadas do exterior. "O volume de mercadorias trazido para o Iêmen para fabricar armas aumentou exponencialmente, e o número de rotas sendo usadas cresceu exponencialmente após a trégua ser anunciada no Iêmen em 2022", disse Peter Salisbury, professor adjunto da Universidade Columbia.

Para manter a produção, o grupo recorre à cadeia de suprimentos do mercado negro global em busca de componentes menores, como sistemas de orientação, motores de foguete, pontas de asa e aletas. Esses itens podem ser contrabandeados em embarcações de médio porte, como os tradicionais dhows, enviados diretamente a áreas controladas pelos Houthis, transbordados via Chifre da África ou transferidos de navio para navio na costa da Somália. "Tenha em mente que os Houthis estão sempre em movimento", disse Lenderking. "Eles são extremamente empreendedores."

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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