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Guerra colide com ambições da Arábia Saudita em encontro de potências do petróleo

Atualizado em 14/10/2026 às 11:05 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Do lado de fora do centro de exposições de Riad, diplomatas estrangeiros receberam um alerta sobre um possível míssil rumo à capital saudita. Dentro do pavilhão, o aviso era outro: os participantes deveriam ocupar seus lugares, pois o ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, estava prestes a subir ao palco. O contraste marcou o Congresso Mundial de Energia (WPC Energy Congress), iniciado no domingo e programado para seguir até sexta-feira (16).

A Arábia Saudita enfrenta uma forte escalada de ataques com mísseis e drones lançados pelos rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã. Ataques ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, mataram ao menos 17 pessoas e deixaram centenas de feridos, e as autoridades suspenderam as operações comerciais do terminal por tempo indeterminado. Participantes do congresso precisaram redirecionar voos para outros aeroportos e até outros países da região. Alguns executivos, incluindo os CEOs da Exxon, Shell, Chevron e BP, cancelaram suas participações.

Apesar das ameaças, as autoridades sauditas tentaram transmitir uma mensagem de normalidade durante o evento. "A palavra 'medo' não existe no dicionário saudita", afirmou Abdulaziz em tom desafiador na segunda-feira. O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, advertiu que qualquer ataque contra alvos em Sanaa será respondido "com uma réplica dura e dolorosa" em Riad.

A guerra envolvendo o Irã, agora em seu oitavo mês, provocou mudanças profundas na ordem econômica e de segurança do Oriente Médio. Portos dos Emirados Árabes Unidos essenciais para o comércio global ficaram expostos a uma nova frente marítima do conflito, e no Catar instalações estratégicas de gás natural liquefeito sofreram danos significativos. Os sauditas perderam grande parte do acesso ao Estreito de Ormuz depois que o Irã passou a controlar militarmente a passagem; ao tentarem redirecionar os embarques por um oleoduto até o Mar Vermelho, milícias apoiadas por Teerã no Iraque atacaram a infraestrutura. O governo saudita e a estatal Aramco conseguiram manter o fluxo de petróleo aos mercados internacionais, em processo caro, mas compensado pela disparada dos preços.

Os ataques dos últimos dias expuseram riscos crescentes não apenas para a segurança do reino, mas também para o projeto saudita de se consolidar como centro financeiro global. Ainda neste mês, Riad sediará a conferência anual de investimentos promovida pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, conhecida como Future Investment Initiative (FII) e apelidada de "Davos do Deserto", uma das principais vitrines da Vision 2030. Os organizadores confirmaram nesta terça-feira que a conferência será realizada conforme o planejado, com medidas reforçadas de segurança e apoio logístico. No congresso de energia, a mensagem central do governo foi a segurança energética: Abdulaziz classificou Riad como "a capital da segurança energética" e disse que o país planeja ampliar a capacidade do oleoduto Leste-Oeste para cerca de 10 milhões de barris por dia, ante o limite atual de 7 milhões. "A segurança energética não pode ser considerada garantida", afirmou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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