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Governos autoritários contratam facções criminosas para eliminar opositores

Atualizado em 26/09/2026 às 13:50 schedule 3 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Regimes repressores como Irã, Rússia e Índia têm adotado uma nova estratégia para perseguir dissidentes no exterior: a terceirização de assassinatos para o crime organizado. Segundo relatório recente do Soufan Center, a tática busca burlar mecanismos tradicionais de contraterrorismo, utilizando redes criminais transnacionais para executar sabotagens e execuções encobertas.

Diferente do modelo antigo, em que os Estados orientavam grupos terroristas com motivações ideológicas, a nova arquitetura envolve a contratação de máfias e gangues que agem pelo lucro. Ao usar criminosos comuns para realizar assassinatos e sabotagens, os regimes autoritários obtêm uma camada extra de negação, o que dificulta a atribuição direta do crime ao governo. A mudança é uma adaptação ao cenário global de vigilância pós-11 de setembro e permite que países como Irã e Rússia ampliem suas capacidades de operação encoberta sem recorrer exclusivamente aos próprios serviços de inteligência.

O relatório aponta que Irã, Rússia e Índia estiveram envolvidos em pelo menos 12 casos ou tentativas de assassinato nos últimos dez anos usando redes criminais. O Irã, por exemplo, utilizou organizações como a Zindashti e a Foxtrot para caçar dissidentes na Europa e na América do Norte. Já a Índia enfrentou uma crise diplomática severa com o Canadá após ser acusada de participar da morte do líder sique Hardeep Singh Nijjar, em 2023. O crime teria contado com o apoio da gangue liderada pelo gângster Lawrence Bishnoi, o que demonstra que até democracias em retrocesso usam essa tática.

Na América Latina, o regime chavista da Venezuela é protagonista de um episódio grave ocorrido no Chile. Segundo investigações da promotoria chilena, a cúpula do governo venezuelano, especificamente sob o comando de Diosdado Cabello, teria negociado com a organização criminosa Tren de Aragua para sequestrar e matar o ex-tenente Ronald Ojeda, em fevereiro de 2024. Ojeda era um opositor que havia fugido para o Chile após escapar da repressão na Venezuela. O caso ilustra como ditaduras vizinhas utilizam facções violentas para alcançar seus desafetos além das fronteiras nacionais.

O grande desafio para investigar e punir esses crimes está no fato de que as ferramentas atuais de segurança estão separadas em duas frentes: o contraterrorismo lida com motivações ideológicas, enquanto o combate ao crime foca em atividades comerciais ilegais. Quando um Estado contrata uma facção, o crime cai em uma lacuna jurídica e operacional. Especialistas defendem uma integração urgente entre inteligência financeira, sanções e investigações criminais internacionais. Sem essa cooperação, fica difícil provar a conexão entre o executor criminal e o governo que encomendou a morte do adversário político.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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