Fux anula decisão de Dino e intensifica embate entre ministros no STF
O ministro Luiz Fux suspendeu, nesta segunda-feira (28), uma decisão individual de Flávio Dino que permitia postagens ofensivas contra o senador Flávio Bolsonaro relacionadas à Padroeira do Brasil. A medida restabelece a proibição dos conteúdos e reacende a crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), expondo divergências sobre liberdade de expressão, desinformação e as competências de cada Corte.
O conflito começou quando Dino, de forma individual, derrubou uma ordem anterior do ministro André Mendonça, que havia determinado a retirada de postagens que associavam Flávio Bolsonaro a ataques contra Nossa Senhora Aparecida. Dino entendeu que proibir as críticas violaria a liberdade de expressão e religiosa. Fux, então, interveio e anulou a decisão de Dino, restabelecendo a censura aos conteúdos. O episódio gerou desconforto porque Dino decidiu sozinho, sem aguardar a análise do plenário do tribunal.
Além de Fux, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou forte insatisfação. O incômodo decorre do fato de Dino ter usado uma ação antiga para interferir em decisões da Justiça Eleitoral, o que foi visto como invasão de competência. Nunes Marques alertou para o risco de "captura institucional", argumentando que decisões individuais externas desestruturam a Justiça Eleitoral durante o período de campanha. A crítica central é que esse tipo de conduta estimula a insegurança jurídica, permitindo que as partes busquem ministros específicos para tentar reverter derrotas.
Ao barrar a ordem de Dino, Fux criticou o uso do combate à desinformação para justificar atos autoritários. Ele questionou se o STF deveria permitir a circulação de notícias comprovadamente falsas e lembrou que medidas extremas já foram tomadas em inquéritos como o das "fake news" sob o mesmo pretexto. Fux também apontou uma falha técnica grave: o desrespeito ao princípio do "juiz natural". Para ele, Dino não poderia ter decidido o caso sozinho, pois a ação deveria ter sido distribuída por sorteio entre todos os ministros, e não direcionada a um gabinete específico.
Dino concentra atualmente diversos processos que atingem diretamente a campanha de Flávio Bolsonaro. Entre os casos estão a investigação sobre o financiamento de um filme em homenagem a Jair Bolsonaro e a apuração de uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O ministro também abriu inquéritos para analisar a atuação de agentes públicos na Comissão de Valores Mobiliários e investimentos ligados ao Banco Master. Essa concentração de ações nas mãos de um único ministro tem sido um dos pontos de maior tensão dentro do tribunal nas últimas semanas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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