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Fundos de infra vivem “um dos piores meses da história”; queda é oportunidade?

Atualizado em 15/10/2026 às 09:05 schedule 3 min de leitura visibility 17 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Os fundos de infraestrutura (FI-Infra), que aplicam em debêntures incentivadas isentas de Imposto de Renda, enfrentaram em setembro um dos piores meses de sua história. Segundo a Sparta, gestora especializada em crédito, os fundos que trocam a exposição à inflação pelo CDI — os chamados hedgeados — tiveram, em sua maioria, retorno negativo. A mediana dos prêmios das debêntures incentivadas sobre os títulos públicos subiu cerca de 0,40 ponto percentual no mês.

A reação dos cotistas veio em forma de resgates. De acordo com o Bradesco BBI, os fundos de infraestrutura registraram saídas líquidas de R$ 3,6 bilhões em setembro, ante R$ 2,6 bilhões em agosto, e renderam menos que o CDI pelo terceiro mês seguido. Desde março a categoria só registra saídas, com pico de R$ 11,6 bilhões em maio. “Vemos fundos com rendimento negativo e os resgates começando a acelerar novamente”, afirma Thais Prado, head de fundos de crédito privado do ASA, referindo-se a outubro.

Na avaliação da Sparta, bastou uma alteração relativamente pequena no equilíbrio de fluxo para provocar a queda. “O ponto mais importante não é que os spreads abriram 40 bps. É que precisou de pouco fluxo para isso”, diz a gestora em sua carta mensal. Cerca de 70% dos fundos isentos de debêntures incentivadas usam hedge, segundo Thais. O mecanismo elimina a oscilação dos juros, mas não a do spread — o prêmio que a debênture paga acima do título público. Quando esse prêmio sobe, o preço do papel cai.

O efeito dos resgates agrava o movimento. Como precisam manter ao menos 85% do patrimônio em ativos incentivados, os FI-Infra são obrigados a vender crédito quando sofrem saques, diferentemente de fundos bancários. A queda dos juros dos títulos públicos após o primeiro turno piorou a situação. Pelos dados do BBI, o spread das incentivadas de melhor nota (AAA) subiu 0,52 ponto em 30 dias e chegou ao maior nível desde o fim de 2024, enquanto o das debêntures comuns AAA atreladas ao CDI caiu 0,03 ponto. Nos fundos atrelados à inflação, sem hedge, a valorização das NTN-Bs mais do que compensou a abertura dos spreads: o FI-Infra de inflação da Sparta subiu 1,1% em setembro, enquanto o hedgeado da gestora caiu 0,2%.

As visões sobre o momento são divergentes. Thais afirma que ainda não é hora de investir na categoria, porque falta prêmio: segundo ela, esses fundos carregam algo próximo de 93% do CDI, o que não compensa diante de uma LCI ou LCA. A Sparta diz que a correção já criou oportunidades, mas tem preservado caixa para não ser vendedora forçada. Já a Vinland avalia que não há piora de crédito que justifique a queda e que os prêmios, no maior nível desde julho de 2024, abrem uma janela de entrada.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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