Foi promovido? Conheça o erro que pode comprometer seu sucesso no novo cargo
Assumir um cargo de liderança depois de uma promoção costuma embaralhar as fronteiras entre a função antiga e a nova. O profissional foi promovido justamente porque se destacou na execução anterior, e abandonar esse trabalho pode parecer abrir mão de parte da própria identidade profissional. O avanço real, porém, exige entrar de forma intencional no novo nível — e não desempenhar dois cargos ao mesmo tempo.
Um dos erros mais comuns é não esclarecer o novo escopo e a própria autoridade. Mesmo que os líderes mais seniores saibam por que a promoção ocorreu e quais são as novas responsabilidades, o promovido pode não ter essa clareza. Vale reservar um tempo para entender o que está sob sua autoridade e o que deve ser conduzido por outras pessoas. Três perguntas ao novo chefe ajudam nesse processo: que valor se espera agregar na posição, como são definidos os resultados pelos quais será responsável e como a função se compara à do antecessor.
O texto cita o caso de uma executiva promovida quando o chefe se aposentou. Seis meses depois, recebeu um feedback direto do CEO: após mais de uma década de elogios e promoções, não estava atendendo às expectativas. O problema não era falta de esforço, mas de foco. Ela ainda executava partes do antigo trabalho, participava de reuniões que deveria delegar e tomava decisões que cabiam à sucessora. Os novos subordinados se sentiam microgerenciados, e a sucessora ficou frustrada com as interferências.
Estabelecer uma data clara para a transição é outra medida apontada como essencial. O desapego fica mais difícil quando não há sucessor definido ou quando ele precisa de tempo para entender a cultura e as prioridades do negócio. A data pode se basear nas necessidades da empresa — início de um trimestre, 60 ou 90 dias após a chegada do novo profissional ou a conclusão de um projeto importante. Quando o momento chegar, a mudança deve ser comunicada a subordinados diretos, parceiros de outras áreas e colegas, deixando claro quem assume cada assunto.
Também é preciso construir uma nova narrativa de liderança. Na passagem da execução tática para a posição estratégica, o sucesso deixa de ser medido pela conclusão de projetos e pela resolução de problemas diários e passa a ser avaliado pela capacidade de fazer os outros entregarem resultados e impulsionarem objetivos de longo prazo. Redirecionar solicitações ligadas às antigas responsabilidades para a pessoa adequada, com cordialidade e firmeza, não é falta de educação: é liderança responsável. Contar com um parceiro de reflexão, como um profissional de RH ou um coach executivo, pode ajudar a identificar pontos cegos e a sustentar os novos hábitos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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