Foco na História: as grandes civilizações africanas. África, um continente esquecido
A África é um continente milenar, formado por inúmeras etnias e atualmente organizado em 54 países, dos quais seis estão localizados em ilhas, como Madagascar. Apesar disso, segundo o padre José Inácio de Medeiros, do Instituto Histórico Redentorista, trata-se de um continente quase desconhecido, mesmo para os brasileiros, cuja cultura e religiosidade mantêm fortes raízes africanas.
O texto relembra que, desde o século XV, quando os portugueses aportaram em Cabo Verde, em 1460, os europeus passaram a dividir as terras e riquezas africanas entre as principais potências do continente, movidas pelo capitalismo e pelo imperialismo. A partilha foi consolidada na Conferência de Berlim, realizada entre 1884 e 1885, após dois anos de discussões, e estabeleceu o que o artigo descreve como o "direito" europeu às riquezas humanas e naturais da África, oficializando a superioridade europeia sobre o continente. As independências e a formação dos diversos países africanos ocorreram a partir de meados do século XX, enfraquecidas pelo cenário do pós-Segunda Guerra Mundial, quando a Europa estava destruída e perdia controle sobre os territórios africanos.
O artigo também percorre a presença da África nas Sagradas Escrituras e na história da Igreja. Lembra que Abraão e Jacó viveram no Egito, que a tradução da Bíblia Hebraica para o grego, conhecida como Septuaginta, foi feita em Alexandria, e que ali Maria e José se refugiaram com Jesus para protegê-lo de Herodes. No tempo da Igreja nascente, o diácono Filipe evangelizou e batizou um eunuco etíope, alto funcionário da rainha Candace. A Tradição Católica relata que o evangelista Marcos evangelizou a região de Alexandria, onde sofreu martírio, e que Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja, era africano de Tagaste, na atual Argélia.
Desde o século XV, missionários e missionárias, sobretudo de congregações religiosas, marcaram presença no continente. Os Padres Brancos, por exemplo, atuaram em Uganda, onde ocorreu o martírio de 22 jovens leigos entre 1885 e 1887, canonizados em 1964 pelo Papa Paulo VI durante o Concílio Vaticano II. A Congregação Redentorista está implantada na África desde o século XIX. Nos últimos anos, a Igreja realizou dois Sínodos Extraordinários dos Bispos Africanos, um em 1994, convocado por João Paulo II, e outro em 2005, convocado por Bento XVI, que afirmou que "a África é a esperança da Igreja".
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