Flávio, Tarcísio e aliados espalham fake news sobre ato de Lula; TSE aponta grave manipulação
O Tribunal Superior Eleitoral determinou, nesta segunda-feira (12), a retirada de publicações que usaram um vídeo enganoso para associar apoiadores de Lula, em manifestação na Avenida Paulista, ao consumo de drogas. O ministro Marco Aurélio Bellizze identificou indícios de grave manipulação por descontextualização. As imagens, que mostram uma mulher aparentemente consumindo uma substância pelo nariz, já circulavam na internet antes do ato.
Segundo a representação da campanha de Lula, o material foi compartilhado por integrantes do campo bolsonarista e chegou ao canal oficial de WhatsApp da campanha de Flávio Bolsonaro, a Tropa do Flávio. A peça citou nomes como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato, Rony Gabriel e Pablo Marçal. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também divulgou o vídeo, embora não figurasse entre os alvos identificados na ação.
A agência Aos Fatos publicou, às 13h09 desta segunda-feira (12), checagem demonstrando que a gravação já havia aparecido em perfis estrangeiros no sábado (10), antes do ato na Avenida Paulista. A agência Lupa também confirmou a circulação anterior das imagens. A constatação derrubou o elemento central da narrativa: a mulher filmada não estava sendo registrada durante a manifestação de Lula, e não foi possível identificar com segurança qual substância aparecia nas imagens. Ainda assim, conforme o material reunido na representação, Tarcísio divulgou a gravação depois da publicação do desmentido.
O episódio ocorre em meio a outra disputa judicial. No domingo (11), Kassio Nunes Marques determinou a interrupção de um canal de WhatsApp acompanhado por mais de 3 milhões de pessoas, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão foi revertida horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. No dia seguinte, técnicos do próprio TSE informaram que não haviam encontrado, no período analisado, os conteúdos falsos específicos apontados pela campanha bolsonarista.
O caso expõe uma contradição: enquanto a campanha bolsonarista recorre à Justiça para restringir canais adversários sob acusações de desinformação, integrantes de sua própria estrutura política ajudaram a colocar em circulação conteúdo comprovadamente enganoso. Não se trata de perfis anônimos, mas de autoridades eleitas e lideranças políticas com equipes de comunicação e instrumentos para conferir a autenticidade das informações antes de divulgá-las.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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