Flávio Bolsonaro vai à missa no Dia da Padroeira do Brasil após semanas de embates com católicos
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que se declara evangélico, participou nesta segunda-feira (12) de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, na Catedral de Brasília. A presença ocorreu após semanas de embates envolvendo a Padroeira do Brasil, acusações contra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e questionamentos sobre a proximidade do candidato com lideranças religiosas que já fizeram declarações hostis à devoção católica.
A menos de duas semanas do segundo turno, a participação do presidenciável em uma celebração católica ganhou dimensão eleitoral. O contraste entre a aproximação de Flávio com os católicos e o histórico de manifestações contrárias à devoção mariana em setores religiosos próximos ao bolsonarismo voltou ao centro das discussões. A controvérsia também ganhou um novo capítulo com o lançamento do documentário A Guerra à Santa, apresentado pela cantora Juliette, que recupera episódios de intolerância religiosa e questiona a relação do senador com o pastor JB Carvalho.
Entre as lideranças que protagonizaram manifestações contra a devoção mariana está o bispo evangélico João Batista Carvalho, o JB Carvalho. Em seu livro A Bomba, publicado em 2001, o religioso apresentou críticas à veneração católica de Maria e questionou o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional. O documentário recupera passagens nas quais Carvalho associa a devoção mariana a uma suposta entidade pagã. O vínculo ganha relevância porque Flávio escolheu a Comunidade das Nações, igreja liderada por JB Carvalho, para realizar seu batismo evangélico em janeiro de 2024. O batismo é um fato documentado, assim como as manifestações atribuídas ao pastor — o que não significa que o senador tenha feito as mesmas declarações ou compartilhe necessariamente de todas as posições teológicas de Carvalho.
Outra controvérsia tem origem no Congresso. Em dezembro de 2007, o então deputado federal Professor Victório Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007, que pretendia substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos" na Lei 6.802/1980. A proposta foi rejeitada e arquivada em agosto de 2008. Anos depois, Galli aproximou-se do bolsonarismo e ocupou cargo de assessor especial durante o governo de Jair Bolsonaro. O projeto não foi de autoria de Flávio Bolsonaro, e não há comprovação de que o senador pretenda retomá-lo.
Durante a campanha, Flávio acusou setores da CNBB de envolvimento na disseminação de conteúdos falsos sobre sua candidatura. A entidade rejeitou as acusações e afirmou, em nota, que não produziu, autorizou ou participou da divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A campanha recorreu à Justiça Eleitoral: o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de publicações que associavam Flávio à suposta intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, decisão posteriormente suspensa pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Na missa desta segunda, o senador esteve acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, e de Daniella Marques, integrante da coordenação econômica de sua campanha.
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