Federação espanhola financia congelamento de óvulos para jogadoras da seleção
A Real Federação Espanhola de Futebol anunciou que custeará tratamentos de reprodução assistida, como congelamento de óvulos e fertilização in vitro (FIV), para atletas e funcionárias da seleção feminina. O programa prevê pagamento integral dos procedimentos e é destinado às jogadoras da seleção principal de campo e do futsal, além de árbitras e funcionárias administrativas da entidade.
Segundo a federação, o objetivo é garantir proteção e informação às profissionais em idade fértil. Além do aporte financeiro para os tratamentos médicos, a iniciativa inclui o fornecimento de informações detalhadas sobre as opções reprodutivas, para que as atletas estejam bem informadas sobre suas necessidades biológicas enquanto exercem atividades esportivas de alto rendimento.
Questionamentos éticos
Especialistas em bioética, no entanto, alertam que a medida pode criar uma pressão profissional indireta para que as mulheres adiem a maternidade em favor da carreira. O receio é que a oferta do congelamento passe a mensagem de que, para atingir o auge profissional, é necessário postergar a gravidez. Para os bioeticistas, a iniciativa transfere para a mulher a obrigação de usar recursos tecnológicos para não interromper a carreira, em vez de cobrar do mercado de trabalho a adoção de políticas que acolham mães, como creches e licenças adequadas.
A prática, aliás, tem crescido no ambiente corporativo global. Nos Estados Unidos, cerca de 15% das grandes empresas com mais de 500 funcionários já incluem o congelamento de óvulos em seus planos de saúde. No Brasil, empresas como Microsoft, LinkedIn e Mercado Livre adotaram políticas semelhantes. Estudos indicam que esses incentivos costumam ser vistos pelos trabalhadores como um sinal de que a organização valoriza a priorização da carreira.
Limites biológicos
Especialistas também alertam que o congelamento não garante que a mulher engravidará no futuro. Embora preserve os óvulos, as taxas de sucesso caem com o avanço da idade no momento da coleta. Dados do CDC, dos Estados Unidos, mostram que as taxas de nascimento por ciclo caem de 22,6% para mulheres entre 38 e 40 anos para apenas 4,5% após os 42 anos. O procedimento, portanto, amplia possibilidades, mas não deve ser encarado como um seguro reprodutivo infalível.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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