Ex-presidente do PT é o deputado federal mais votado nas cadeias do Brasil
O PT foi o partido mais votado para deputado federal nas seções eleitorais instaladas em cadeias e unidades prisionais de 6 dos 7 maiores colégios eleitorais do Brasil nas Eleições 2026, segundo mapeamento exclusivo da Gazeta do Povo. O líder isolado nesse recorte é Rui Falcão, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, que obteve 144 votos entre os eleitores inscritos para votar nas cadeias de São Paulo, o equivalente a cerca de 6,7% dos votos do estado nesse segmento.
Apesar do desempenho nas seções prisionais, Rui Falcão não alcançou votação suficiente no público geral para se eleger e ficou na suplência da Câmara dos Deputados. Em São Paulo, os outros dois nomes mais votados nas cadeias — Tábata Amaral (PSB), com 118 votos, e Lucas Pavanato (PL), com 76 — conquistaram cadeiras. Entre os partidos, o PT somou 832 votos nas cadeias paulistas, seguido por votos em branco (348), PL (255) e União Brasil (207).
Na Bahia, o mais votado nas cadeias foi Jayminho Vieira Lima (MDB), com 71 votos, que ficou na suplência. Ele superou por dois votos o escore obtido pelo PT no voto de legenda (69), deixando o petista Jorge Solla e seus 60 votos no terceiro lugar; Solla foi eleito, assim como Capitão Alden (PL), que completou a lista com 40 votos. Em Minas Gerais, onde o PL liderou a votação partidária nas cadeias (116 votos, contra 55 do PT e 31 do União Brasil), os mais votados foram Nikolas Ferreira (PL), com 61 votos, e Igor Santos (PL), com 22, ambos eleitos, seguidos por Menina da Bota (União Brasil), com 21, que ficou na suplência.
No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, não houve seções eleitorais em unidades prisionais no primeiro turno. O TER-RJ chegou a lançar em 2025 o projeto "Democracia Além das Grades", mas a iniciativa deixava de fora unidades com presos ligados a facções criminosas. Os presos fluminenses também ficaram de fora das eleições de 2022.
Nos demais estados analisados, os preferidos nas cadeias nem sempre se elegeram. No Ceará, Adelita Monteiro (PT) foi a mais votada, com 21 votos, mas ficou na suplência; André Fernandes (PL), com 11, foi eleito. No Rio Grande do Sul, os três mais votados eram do PT — Alexandre Lindenmeyer (45), Laura Sito (35) e Maria do Rosário (33) —, mas apenas Maria do Rosário se elegeu. No Paraná, a votação foi mais distribuída: Roberto Requião (PDT), com 5 votos, não conseguiu eleição nem suplência, enquanto Ana Júlia (PT) e Jeffrey Chiquini (Novo), também com 5 votos cada, foram eleitos. Em Pernambuco, exceção à liderança petista ao lado de Minas Gerais, os três mais votados se elegeram: Guilherme Uchoa Junior (PSD), com 83 votos, Rosa Amorim (PT), com 21, e Juliana de Chaparral (União Brasil), com 20.
O levantamento ressalta que os resultados não equivalem ao "voto dos presos". As seções em estabelecimentos penais destinam-se principalmente a presos provisórios, sem condenação definitiva, mas também podem atender servidores do sistema prisional que optem por votar no local de trabalho, além de mesários. A urna registra apenas os votos da seção, sem identificar a condição individual de cada eleitor. Para as eleições de 2026, o TSE determinou, por meio do artigo 47 da Resolução nº 23.751/2026, a disponibilização dessas seções, exigindo um mínimo de 20 eleitores aptos para a instalação e documentação eleitoral em dia.
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