Estrutura sem VPs ajudou a impulsionar crescimento da Kalshi, afirma cofundadora
A cofundadora e diretora de operações da Kalshi, Luana Lopes Lara, afirmou que a estrutura horizontal da empresa tem sido decisiva para sustentar o crescimento acelerado da plataforma de mercados de previsão. Segundo ela, o maior problema enfrentado por companhias em expansão é o aumento de reuniões, pedidos de aprovação e camadas de burocracia.
Durante o evento Fortune Most Powerful Women Summit, em Santa Barbara, a executiva disse que a Kalshi evitou esse obstáculo ao abrir mão de hierarquias tradicionais. "Conseguimos tomar decisões muito rapidamente e nos adaptar com muita rapidez. Também somos uma organização muito horizontal. Não temos chefes de área, vice-presidentes nem toda essa estrutura. Todos respondem diretamente a mim ou estão a apenas um nível de distância, e acho que isso nos permite avançar muito mais rápido", declarou.
A estratégia parece dar resultados. Uma empresa de pesquisa estimou, em junho, que a Kalshi caminhava para atingir US$ 4 bilhões em receita anualizada, acima dos US$ 775 milhões registrados em dezembro. Grande parte desse crescimento foi impulsionada pela explosão das apostas esportivas, mas a empresa também avançou para novos produtos, como mercados futuros ligados à capacidade computacional, consolidando sua posição como líder dos mercados de previsão na América do Norte.
O crescimento acelerado também transformou a vida de Luana Lopes Lara, de 30 anos, que neste ano se tornou a mulher bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna. Questionada sobre o assunto, afirmou sentir-se "muito grata", embora considere a situação "estranha", e disse que sua rotina praticamente não mudou. "Muito pouco mudou na minha vida. Continuo no escritório mais de 12 horas por dia e basicamente tento fazer as mesmas coisas que sempre fiz", afirmou.
Apesar da trajetória de crescimento, a Kalshi enfrenta desafios relevantes. A empresa está envolvida em disputas judiciais em diversos estados americanos, onde autoridades alegam que a companhia opera uma plataforma ilegal de apostas esportivas. As ações já resultaram em decisões divergentes em tribunais de apelação, e há expectativa de que a Suprema Corte dos Estados Unidos analise o tema no próximo ano. A Kalshi argumenta que seus contratos esportivos diferem das apostas tradicionais em cassinos ou casas de apostas porque os usuários apostam entre si, e não contra uma banca centralizada. Alguns tribunais, porém, rejeitaram essa distinção.
Luana afirma estar confiante de que a empresa prevalecerá nos tribunais e acredita que a Kalshi conseguirá se adaptar a qualquer marco regulatório que venha a ser estabelecido. A executiva também destacou que um dos maiores desafios da companhia é educar o público sobre o conceito de probabilidades, citando como exemplo as eleições legislativas nos EUA. "Hoje há cerca de 92% de chance de os democratas conquistarem a Câmara. Mas, se os 8% acontecerem, muita gente dirá que os mercados de previsão erraram. Só que um evento com 8% de probabilidade significa que ele acontecerá, em média, oito vezes a cada cem", explicou. Ela também comentou uma campanha publicitária da concorrente Novig, que trazia a atriz Sydney Sweeney em trajes mínimos: "Não é um anúncio que faríamos, nem algo que eu, como mulher, me sentiria confortável em produzir ou assistir. Não é a marca que queremos construir".
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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