Especialistas condenam monitoramento acadêmico de cultos religiosos no Brasil
Pesquisadores do grupo Passagens, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a organização More in Common, analisaram cerca de 7,5 mil celebrações religiosas nas semanas que antecederam o primeiro turno das eleições de 2026. O levantamento envolveu mais de 13 mil horas de áudio de missas e cultos, com o objetivo declarado de mapear como temas políticos e eleitorais aparecem nos púlpitos. Os pesquisadores identificaram situações políticas em 3,2% das igrejas acompanhadas e classificaram 237 celebrações como contendo propaganda eleitoral.
Especialistas em Direito Constitucional afirmam que monitorar cultos é inconstitucional, independentemente da finalidade, e sustentam que a Constituição assegura o livre exercício das crenças e protege os locais de celebração contra interferências. O Instituto Brasileiro de Direito e Religião classificou a prática como "policiamento da fé", argumentando que o Estado deve proteger os templos e não vigiá-los. Para os juristas, esse tipo de vigilância cria um ambiente de medo e autocensura, impedindo que líderes religiosos expressem suas convicções morais e valores.
Segundo a metodologia da pesquisa, foi classificado como propaganda qualquer manifestação de apoio ou ataque a candidaturas, mesmo indireta, incluindo pedidos para que fiéis adesivassem veículos, distribuição de materiais de campanha e orientações de voto baseadas em princípios bíblicos. Especialistas em Direito Eleitoral apontam que os dados são públicos e as transmissões originais estão no YouTube, o que permite que o material seja usado como prova na Justiça Eleitoral. A simples menção a candidatos não configura crime automaticamente, mas uma condenação por abuso de poder religioso exige comprovação de ameaça aos eleitores ou uso estruturado da instituição para favorecer deliberadamente um político.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar