Equipes fortes não evitam conflitos; elas aprendem a usá-los
Equipes de liderança que evitam o confronto de ideias podem comprometer o desempenho das empresas. A avaliação é de uma conselheira de equipes executivas com 25 anos de experiência, segundo a qual o desafio central não é apenas administrar conflitos, mas fazer com que os executivos tragam ideias divergentes à mesa e as submetam a análise rigorosa.
Com frequência, segundo ela, as equipes avançam em um estado de "paz passiva": valorizam o respeito, confiam que os colegas administrem seus próprios silos e temem que sair de sua área possa fazê-los parecer pouco prestativos ou atrasar decisões. Pesquisas citadas no relato sugerem que o conflito de tarefa entre líderes seniores — o debate sobre ideias e decisões, em contraste com conflitos interpessoais — pode melhorar o desempenho das empresas, especialmente nos primeiros estágios de vida de uma equipe. Times que não levantam questões difíceis correm o risco de deixar passar o melhor caminho e permanecer tempo demais na direção errada.
O problema se agrava, segundo a conselheira, em um cenário de mudanças rápidas, incerteza, insegurança no emprego e pressão por velocidade, que tornam os líderes mais relutantes em questionar uns aos outros. Hoje, ao menos metade de seus projetos de coaching com equipes de liderança é dedicada a ensinar como conduzir conversas difíceis de forma eficaz — a maior proporção que viu em sua carreira.
Um dos casos relatados envolve uma empresa apoiada por private equity que acabara de concluir uma grande aquisição. O CEO percebeu que as reuniões da equipe executiva recém-integrada eram excessivamente educadas: os líderes das duas organizações, antes separadas, permaneciam em seus territórios e direcionavam comentários críticos a ele, em vez de se desafiarem. Entrevistas posteriores revelaram que eles respeitavam os novos colegas, mas ainda não confiavam o suficiente para correr o risco de ultrapassar limites. Sessões facilitadas, reformulação de pautas e orientação ao CEO para sustentar debates mais francos ajudaram a mudar a dinâmica, e os integrantes passaram a encontrar novas oportunidades de colaboração.
Para construir equipes que abracem o conflito produtivo, a conselheira recomenda quatro medidas: estabelecer conjuntamente o propósito da equipe executiva; substituir reuniões de atualização por reuniões de perguntas; acelerar a construção da confiança interpessoal; e normalizar uma cultura em que tensões sejam tratadas diretamente entre colegas. Segundo ela, cabe aos CEOs criar as condições para que esse conflito seja produtivo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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