Enem 2026 estreia apoio emocional e novas regras de acessibilidade
Participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com histórico de crises de ansiedade ou Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) poderão contar, pela primeira vez, com acompanhante ou cão de apoio emocional durante as provas. O benefício é voltado a quem solicitou o atendimento especializado na inscrição e teve o pedido aprovado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do exame.
Segundo o edital desta edição, a medida inédita também se aplica a outros casos de alterações emocionais. O acompanhante permanece em uma sala reservada, monitorada por fiscais, para situações em que seja necessário prestar apoio ou ajudar na estabilização do participante. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou à Agência Brasil a importância da presença de um acompanhante familiar durante a prova. "Se tiver o laudo adequado e a solicitação aprovada, se esse candidato, por exemplo, precisar ir ao banheiro, se houver outra necessidade, terá um acompanhante familiar. Este apoio emocional é muito importante", afirmou. "O Enem deve ser acessível e cada vez mais inclusivo. Todos os anos, a gente evolui nessa questão."
A aplicação deste domingo (8) tem 138.329 solicitações de atendimento especializado confirmadas pelo Inep. Outra novidade do ano é a inclusão de candidatos com fibromialgia entre as condições que permitem pedir atendimento especializado e recursos de acessibilidade. Entre os quadros que mais motivaram pedidos estão déficit de atenção (51.724, ou 37,39%), Transtorno do Espectro Autista (34.723, ou 25,1%), baixa visão (9.792, ou 7,04%) e deficiência intelectual (8.922, ou 6,45%). Nos recursos de acessibilidade, lideram tempo adicional (77.956 solicitações, 34,47%), correção diferenciada (42.379, 18,74%) e auxílio para leitura (28.042, 12,40%).
Entre os inscritos que pediram atendimento está Maria Clara Gonçalves, 18 anos, de Cotia (SP), diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Ela defende salas reduzidas para minimizar distrações causadas por ruído e movimentação de outros candidatos. "Para mim, como neurodivergente, é muito difícil estar em uma sala com outras pessoas ao meu lado, porque eu estou olhando, presto atenção no que estão falando", relata. A jovem pretende disputar uma vaga em medicina e, no futuro, especializar-se em neurologia.
A psicopedagoga Giselle de Oliveira Araújo, especialista em educação especial, afirma que o cérebro aprende e se adapta, mas precisa de condições favoráveis. Ela recomenda apoiar os pés no chão, sentir o contato com a cadeira, relaxar os ombros, alongar as mãos, ajustar a postura e respirar lentamente. Segundo a especialista, não há intervalo fixo ideal para pausas: o momento deve ser guiado por sinais de sobrecarga, como reler a mesma frase várias vezes ou perder a organização do raciocínio, e as estratégias devem ser testadas antes em simulados.
Esta matéria foi publicada primeiro em Educação · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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