Ele diz ter encontrado o “melhor cachorro do mundo”. E quer espalhá-lo pelo planeta
Uma placa apoiada do lado de fora de uma loja de vinhos em Boonville, pequena comunidade da Califórnia, era direta: “Filhotes aqui dentro”. Joshua Korbel, engenheiro de som de 43 anos, gostava tanto de vinho quanto de cachorros. “Então pisei no freio, encostei o carro e entrei naquela sala de degustação”, contou.
A propaganda não mentia. Mais de uma dúzia de filhotes corria pelo piso de madeira e se espalhava por um sofá de couro em formato de L ao lado do balcão. Pareciam border collies de pelo curto, com focinhos pontudos e orelhas caídas, mas exibiam cores que iam do preto e branco ao marrom e até um cinza suave. Eram fox collies, explicou Andy DuVigneaud, enólogo e proprietário da loja. Não se trata de uma raça oficialmente reconhecida — ainda. Mas DuVigneaud está determinado a mudar isso.
Ele acredita que esse cão, cujas origens remontam à Califórnia do fim do século XIX, pode ser o antídoto para muitos dos problemas atuais: humanos cada vez mais solitários e desconectados, e cães criados para trabalhos que já não existem. O fox collie é considerado um ancestral do pastor McNab, cão de trabalho de fazenda com raízes nas Terras Altas da Escócia que quase desapareceu em meados do século XX. Segundo DuVigneaud, trata-se simplesmente do “melhor cachorro do mundo”.
O fox collie consegue trabalhar em fazendas e correr o dia inteiro, mas também buscar bolinhas, viajar longas distâncias no banco do passageiro e descansar ao lado do tutor. Ao contrário dos border collies, conhecidos pela energia praticamente inesgotável, os fox collies também dominam a arte de relaxar. Com uma operação modesta, DuVigneaud tenta repovoar o planeta com essa versão ideal de cachorro, recriando a linhagem por meio de cruzamentos seletivos, cerca de 240 quilômetros ao norte do Vale do Silício.
Desde 2020, ele já produziu 16 ninhadas. Utiliza testes de DNA para evitar problemas genéticos comuns em cães de raça e escolhe os reprodutores principalmente com base em tamanho e temperamento. Segundo ele, mais de 400 pessoas já manifestaram interesse sério nos animais, que são vendidos por US$ 1.000 cada. DuVigneaud afirma que não faz isso pelo dinheiro: “Estou tentando mudar o mundo.” Para ele, os cães de trabalho serão cada vez mais substituídos por drones e outras tecnologias, e os humanos viverão uma crise semelhante de propósito com o avanço da inteligência artificial. Nesse cenário, o vínculo entre pessoas e animais poderá se tornar ainda mais importante.
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