Eduardo Bolsonaro reaparece com discurso derrotista, acusa urnas eletrônicas e pede para Flávio deixar o Brasil caso perca a eleição
Em entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, divulgada nesta sexta-feira (23), Eduardo Bolsonaro (PL) voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas sem apresentar provas de fraude e defendeu que o irmão, Flávio Bolsonaro, deixe o Brasil caso seja derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).
Sobre o sistema eleitoral, o ex-deputado afirmou que a ausência de cédulas individuais impressas comprometeria a fiscalização dos resultados. Reconheceu não ter provas de fraude, mas argumentou que seus adversários também não conseguiriam demonstrar a inexistência de irregularidades. A alegação ignora mecanismos de auditoria do sistema brasileiro, que usa urnas eletrônicas desde 1996: ao término da votação, cada equipamento emite um boletim de urna impresso com a quantidade de votos por candidato naquela seção, documento que pode ser consultado e confrontado com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. Há ainda procedimentos de fiscalização antes, durante e depois das eleições.
A manifestação ocorre em um contexto particular da trajetória de Eduardo. Ele vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e perdeu o mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano por excesso de faltas às sessões legislativas. Em junho de 2026, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo o entendimento da Corte, ele atuou junto a autoridades norte-americanas para pressionar instituições brasileiras e interferir no julgamento de Jair Bolsonaro, condenado por participação na tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. A condenação tornou-se definitiva em outubro, e o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão. O ex-deputado permanece em território norte-americano.
As declarações foram divulgadas às vésperas da votação que definirá o próximo presidente e reúnem três elementos distintos: a defesa de que Flávio deixe o país em caso de derrota, o questionamento das urnas sem provas e a referência, em tom de brincadeira, a uma possível intervenção militar estrangeira. O episódio reacende o debate sobre o respeito ao resultado eleitoral — tema sensível desde a eleição de 2022, quando o país enfrentou uma mobilização golpista que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar