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E as pesquisas erraram de novo: urnas desmentem previsões de institutos a cada eleição

Atualizado em 16/10/2026 às 15:40 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Seis dos sete institutos que divulgaram pesquisas presidenciais na reta final da eleição apontavam Lula (PT) à frente no primeiro turno. O resultado das urnas, com 100% da apuração, deu a liderança a Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Todos os sete erraram para o mesmo lado, segundo análise do cientista político Gabriel Cepaluni.

Os números da véspera mostram a dimensão da divergência. O Datafolha indicava 45% a 42% para Lula (registro no TSE BR-01708/2026); a Quaest, 46% a 45% (BR-02197/2026); a AtlasIntel, 47% a 44,1% (BR-00999/2026); o PoderData, 45% a 43% (BR-03519/2026); a CNT/MDA, 47,8% a 42,1% (BR-04756/2026); e o Real Time Big Data, 46% a 41% (BR-09503/2026). Apenas o Gerp trazia Flávio à frente, por 46% a 44% (BR-00509/2026). Flávio recebeu mais votos do que qualquer instituto previa — um ponto a mais que no Gerp e seis a mais que no Real Time Big Data. No caso de Lula, o erro ficou em cerca de um ponto, ora para cima, ora para baixo.

O padrão não é inédito. Em 2018, o Datafolha da véspera atribuía 40% dos votos válidos a Jair Bolsonaro (BR-01584/2018), que obteve 46,03%. Em 2022, apontava 36% (BR-00245/2022), e o resultado foi 43,20%. São três eleições presidenciais seguidas com erros de seis, sete e cinco pontos, sempre para baixo e contra o mesmo campo político, conforme o texto.

Nos estados, o problema se repetiu. A Quaest divulgou pesquisas para governador em 26 unidades da Federação, todas com margem de erro de dois pontos. Em 16 delas, quem terminou em primeiro ficou a mais de três pontos do número publicado; em dez, a mais de quatro, o dobro da margem. No Rio de Janeiro, os grandes institutos davam Eduardo Paes (PSD) à frente de Douglas Ruas (PL), mas Ruas terminou em primeiro, com 49,27%, contra 42,76%. No Paraná, Sergio Moro (PL) elegeu-se no primeiro turno com 50,10%. No Rio Grande do Sul, Zucco (PL) teve 58,05%. Houve erro também no sentido contrário: na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) superou as pesquisas, com 55,72%.

Para o autor, o erro que se repete na mesma direção por três eleições deixa de ser acaso. Ele afirma não ter evidência de manipulação e observa que os dados estaduais não apontam para um único partido, mas sustenta que a dúvida entre falha de método e má-fé só existe porque os dados são fechados. A resolução 23.600 do TSE já exige o registro de contratante, custo, origem do dinheiro, amostra e questionário, e, desde 2024, um relatório completo divulgado após a eleição. Falta, segundo ele, a base de dados das entrevistas sem identificação, os pesos atribuídos a cada resposta, o número de recusas e o tratamento dado aos indecisos — informações que deveriam sair junto com a pesquisa para permitir que qualquer pessoa refaça as contas.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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