'É a maior crise do STF': Gonet deveria se afastar do caso Master e Moraes precisa ser investigado, afirma ex-PGR Claudio Fonteles
O ex-procurador-geral da República Claudio Lemos Fonteles afirmou à BBC News Brasil que o atual chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, deveria se afastar do comando das investigações sobre o Banco Master, após ser citado em diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro. Na avaliação de Fonteles, que comandou a PGR entre 2003 e 2005, o correto seria Gonet repassar o caso ao vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand Filho. "O procurador-geral da República tem que explicar isso", disse.
Segundo relatório da Polícia Federal, o advogado Ciro Soares intermediou contatos entre Vorcaro e Gonet, incluindo a articulação para que o filho do PGR participasse de uma viagem a Londres bancada pelo banqueiro. Para Fonteles, a possível viagem é o ponto "mais delicado", mas não configura necessariamente ilícito criminal. Ele também defendeu que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado diante das mensagens atribuídas a Vorcaro, incluindo suposto pedido de interferência na atuação de Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O ex-PGR, no entanto, não vê nulidade no relatório produzido a pedido do ministro André Mendonça, que Gonet pediu para anular. Para Fonteles, o plenário do STF tem elementos para abrir inquérito sobre Moraes, que teria editado contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da esposa e o Banco Master. Ele considera que a Corte atravessa "a maior crise de sua história", mas não vê necessidade de afastamento do ministro nem de impeachment. Moraes e Gonet ainda não se manifestaram.
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