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Do “Flávio Day” à cautela pré-segundo turno: o que moveu o mercado desde 5 de outubro

Atualizado em 23/10/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro, foi marcado por uma forte reprecificação dos ativos brasileiros. O Ibovespa disparou 7,7%, maior alta diária desde março de 2020, e ultrapassou pela primeira vez os 200 mil pontos. O dólar caiu mais de 4% frente ao real, enquanto a curva de juros futuros registrou forte fechamento. O movimento foi sustentado pela expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado e de maior compromisso com o ajuste fiscal, em meio à liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno.

Bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao mercado de capitais lideraram os ganhos. Entre os destaques estiveram B3 (B3SA3), XP (XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11), que avançaram mais de 20%, além de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3), com ganhos superiores a 10%. Setores dependentes do ciclo doméstico também se beneficiaram da queda dos juros futuros, caso de Magazine Luiza (MGLU3), C&A (CEAB3), Lojas Renner (LREN3), Cyrela (CYRE3) e MRV (MRVE3).

Juros como principal motor

Apesar do peso da narrativa eleitoral, bancos e estrategistas apontam que o principal combustível da alta foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo. Segundo o Goldman Sachs, cerca de 85% da valorização do Ibovespa após o primeiro turno pode ser explicada pela queda dos juros longos. O banco mantém projeção-base de 215 mil pontos para o índice, mas avalia que ele poderia alcançar 225 mil pontos caso o próximo governo entregue maior disciplina fiscal e provoque nova rodada de fechamento dos juros reais. O UBS Wealth Management elevou sua exposição a ações brasileiras e passou a projetar potencial adicional de cerca de 25% para a Bolsa, argumentando que a reprecificação iniciada após o primeiro turno ainda não capturou integralmente um eventual cenário de melhora fiscal.

Da euforia à cautela

Nas semanas seguintes, com pesquisas mostrando disputa mais apertada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), investidores passaram a realizar parte dos ganhos e a reduzir posições mais agressivas. O Ibovespa devolveu uma pequena parcela da alta e o dólar voltou a subir em alguns pregões. A leitura predominante entre grandes bancos segue construtiva, mas condicionada à credibilidade fiscal do próximo governo. Antes do segundo turno, o foco dos investidores está concentrado nas pesquisas eleitorais, na definição da equipe econômica e das propostas fiscais e na temporada de resultados corporativos, que começou nesta semana.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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