Derrotas eleitorais abalam o mito de Gilberto Kassab como grande estrategista
As derrotas eleitorais recentes colocaram em xeque a imagem de Gilberto Kassab como um dos principais estrategistas políticos do país. Para analistas, o saldo das últimas disputas expõe um problema sério enfrentado pelo Centrão: a máquina de prefeitos, cargos e alianças flexíveis não tem se traduzido em transferência de votos em eleições nacionais.
Kassab mantém uma estrutura partidária robusta e continua sendo um articulador relevante nos bastidores do Congresso. No entanto, segundo a análise, ele perdeu o poder de conduzir a sucessão política e de definir sozinho os rumos das alianças que costumava costurar.
O diagnóstico aponta que a lógica de acumular prefeituras e cargos comissionados, marca registrada do grupo, funciona bem na política local, mas encontra limites quando o objetivo é eleger nomes em disputas de abrangência nacional. A capilaridade administrativa não se converte automaticamente em votos.
O cenário também projeta desdobramentos para o campo da direita. Caso Flávio Bolsonaro vença a disputa, terá de negociar tardiamente com o grupo cuja viabilidade eleitoral desprezou ao longo da campanha. O movimento incluiria investir na venda de apoio a Lula, o que reforça a leitura de que o Centrão, mesmo fragilizado, segue sendo peça com a qual os candidatos precisam lidar.
Para os analistas, o episódio evidencia que alianças flexíveis e estruturas partidárias tradicionais já não garantem, por si só, desempenho eleitoral no plano nacional — o que obriga os grupos políticos a repensar o modelo de influência que vinham adotando.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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