Debate da Band expõe estratégia de provocações de Flávio Bolsonaro e declarações desmentidas pelo Aos Fatos
O primeiro debate presidencial do segundo turno, promovido pela Band neste domingo (18), foi marcado por uma sequência de provocações do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em diferentes momentos, o candidato do PL deixou de responder diretamente às perguntas e substituiu explicações por ataques pessoais e acusações ao governo, o que gerou reclamações de Lula e intervenções dos mediadores.
Um dos momentos mais representativos ocorreu quando Lula questionou o senador sobre sua atuação na discussão de uma proposta legislativa que retiraria exigências de identificação de munições usadas pelas forças de segurança. A alteração havia sido incorporada ao PL 3.723/2019 na Câmara e foi defendida por Flávio durante a tramitação no Senado. Diante da ausência de respostas objetivas, o presidente reclamou: "Eu fiz três perguntas e você não responde nenhuma". O senador, por sua vez, passou a repetir perguntas sobre o voto de familiares de Lula e a fazer acusações sobre a política de segurança pública.
Uma checagem publicada pelo Aos Fatos identificou uma série de declarações falsas, enganosas ou descontextualizadas feitas por Flávio durante o confronto. Sobre o escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias, o senador afirmou que Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", seria integrante do governo Lula. Segundo a agência de checagem, ele não ocupava cargo no governo federal nem era servidor do INSS, mas um empresário e lobista investigado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema.
Flávio também afirmou que a Polícia Federal ainda não havia investigado Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A informação foi desmentida: conforme a checagem, a PF já conduzia três inquéritos envolvendo o filho do presidente, abertos entre julho e agosto de 2026 com autorização do Supremo Tribunal Federal, para apurar suspeitas de tráfico de influência e favorecimento de empresas. Lulinha nega irregularidades. Lula declarou que familiares devem responder às investigações quando houver suspeitas, sem interferência do governo.
Outras afirmações do senador foram contestadas pela checagem. Ele disse que Lula gastou R$ 7 bilhões em viagens com a primeira-dama Janja; o valor, segundo o Aos Fatos, corresponde a despesas com viagens a serviço de diferentes órgãos e servidores federais entre 2023 e 2025, e não a gastos pessoais do casal. O senador também apresentou como recorde o número de empresas que decretaram falência no atual governo, mas os dados da Serasa Experian apontam o maior número da série em 2015, com redução entre 2024 e 2025. Ao falar de saúde, Flávio prometeu criar um prontuário eletrônico único, proposta que, segundo a checagem, já conta com estruturas em funcionamento no país, como a Rede Nacional de Dados em Saúde e o Prontuário Eletrônico do Cidadão.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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