Coreia do Norte turbina hackers com IA: roubo de US$ 6,3 bi da Binance é só o começo
O grupo norte-coreano acusado do maior roubo de criptomoedas da história é um coletivo estatal de hackers de elite, formado desde cedo para perseguir alvos de grande valor. A inteligência artificial passou a oferecer a esse time uma ferramenta adicional para ampliar a arrecadação que sustenta a expansão militar do país.
A Coreia do Norte mantém um exército de hackers com milhares de integrantes. A unidade de elite conhecida como "TraderTraitor", à qual o FBI atribui o roubo recente de US$ 6,3 bilhões da Binance, pode ter apenas uma dúzia de membros, segundo especialistas. Diferentemente de criminosos que miram investidores individuais, o grupo adota a estratégia conhecida como Caça de Grandes Presas (Big Game Hunting), com apoio de IA para localizar empresas de criptomoedas de alto valor e comprometer sua infraestrutura.
"Este grupo específico busca um grande butim", afirmou Park Seong-su, pesquisador de ameaças da Zscaler, empresa de cibersegurança. Segundo ele, os hackers miram empresas ligadas a criptomoedas, estudam sua infraestrutura e adulteram processos de transferência de fundos para executar roubos em larga escala. Com as novas ferramentas de IA, acrescentou, "as barreiras para tais habilidades caíram significativamente, enquanto a velocidade com que essas operações podem ser realizadas aumentou tremendamente".
Há décadas o país seleciona estudantes de destaque para integrar suas equipes de hackers, com treinamento em instituições especializadas como a Faculdade Moranbong, em Pyongyang, segundo desertores e especialistas. De acordo com a Chainalysis, o país é considerado responsável por 89% das perdas relatadas em hacks de criptomoedas neste ano. O maior roubo anterior do grupo havia sido o hack de US$ 1,5 bilhão da Bybit, em 2025.
Segundo a Binance, uma investigação inicial identificou um laptop comprometido de um engenheiro como ponto de violação. Em cerca de 20 minutos, os hackers levaram US$ 6,36 bilhões em criptomoedas, valor equivalente a quase 20% da produção econômica anual estimada da Coreia do Norte. Com aproximadamente US$ 2,8 bilhões congelados após o ocorrido, as saídas líquidas somam US$ 3,6 bilhões.
Especialistas apontam que o grupo combina hacking de alto nível com engenharia social, identificando funcionários com acesso privilegiado a sistemas-alvo e abordando-os com ofertas de emprego. "O forte deles é a parte humana", disse Nick Carlsen, investigador sênior da TRM Labs. Em 2024, especialistas da ONU afirmaram que roubos cibernéticos e atividades financeiras ilícitas do país poderiam financiar cerca de 40% de seus programas de armas de destruição em massa.
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