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Consultas por lesões pré-cancerígenas caem após vacina contra HPV

Atualizado em 20/10/2026 às 16:50 schedule 4 min de leitura visibility 0 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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As consultas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes caíram quase 78% após o início da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). O dado consta de pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que classifica o resultado como mais uma evidência da eficácia e da importância do imunizante.

O papilomavírus humano (HPV) é o principal causador do câncer de colo do útero, que se desenvolve a partir de lesões não tratadas, as chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacinação também impede o surgimento das lesões que podem evoluir para câncer.

O SUS oferece a vacina contra o HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino desde 2014. A cobertura foi ampliada ao sexo masculino em 2017 e, atualmente, é aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos. Segundo o estudo, essa inclusão mudou radicalmente a incidência das lesões: em 2011, 474 adolescentes de 15 a 19 anos foram atendidas no SUS por causa da doença, número que subiu para 603 em 2015, logo após o início da vacinação. Nos anos seguintes, houve queda acentuada, para 299 consultas em 2019 e 136 em 2023. A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes caiu de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023.

Os pesquisadores destacam que essa é a única faixa etária com quedas tão expressivas, o que coincide com o público vacinado em massa pelo SUS. Ao avaliarem as primeiras consultas por outras infecções sexualmente transmissíveis, identificaram movimento contrário: entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura por serviços médicos saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023. Para os autores, o resultado reforça que a redução das lesões de alto grau provavelmente não decorre de mudanças na saúde sexual ou no uso dos serviços de saúde.

O estudo também estima quantas lesões podem ter sido evitadas. De 2011 a 2019, foram 2.620 primeiras consultas em adolescentes; o total poderia ter chegado a 7.688 caso o SUS não oferecesse a vacina, cerca de 5 mil casos a mais. Os dados foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas com códigos de diagnóstico específicos para essas lesões, acompanhadas de pelo menos um procedimento pertinente.

O câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos por ano, e um dos mais mortais, com cerca de 7 mil óbitos anuais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença pode ser erradicada em alguns anos desde que os países ofereçam vacinação com altas coberturas, exames de rastreamento na faixa etária indicada e tratamento adequado das neoplasias antes que evoluam para câncer. Os pesquisadores afirmam que o estudo representa um indicador promissor do impacto precoce da vacinação, mas que a manutenção dos avanços exigirá a preservação de altas coberturas vacinais e o resgate de jovens que não se vacinaram na época correta. Eles também sugerem que o governo considere ampliar gradualmente a faixa etária coberta. Atualmente, o Ministério da Saúde realiza campanhas de resgate para jovens de até 19 anos não vacinados e disponibiliza o imunizante a públicos mais vulneráveis, como pessoas que já tiveram lesões pré-cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição para prevenir o HIV.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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