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Comprar ou realizar? O que fazer na Bolsa e na renda fixa após o rali do 1º turno

Atualizado em 06/10/2026 às 08:20 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Ibovespa bateu recorde histórico acima dos 200 mil pontos, o dólar chegou a cair para R$ 4,95 e os juros futuros desabaram a ponto de renovar recorde desde 2008, em reação do mercado ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial. O movimento pegou investidores de surpresa: eles já se posicionavam para um cenário favorável à oposição, mas não contavam com Flávio à frente já no primeiro turno, ao contrário do que indicava a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha.

Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, afirma que o desempenho da direita nos Estados e no Congresso também surpreendeu. Ele atribui a alta de segunda-feira mais à mudança de expectativas do que a uma melhora dos fundamentos, que ainda precisa ser confirmada. Utsch lembra que Flávio não era o nome preferido do mercado e que a reação se deve à chance maior de Lula não ser reeleito, depois de um governo cuja política econômica e falta de ajuste fiscal desagradaram os investidores.

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, a maior parte da alta se concentrou no pregão de segunda, "com um pouco de overreaction". Ele espera, no entanto, que a Bolsa se mantenha acima dos 200 mil pontos, desde que Flávio continue como favorito. Ricardo Farias, gestor da Fator Administração de Recursos, não vê exagero e avalia que a reação foi proporcional à surpresa com o resultado. Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, acha possível que a alta continue por alguns dias, já que grandes investidores costumam levar mais de um pregão para ajustar posições. Bruno Corano, CEO da Corano Capital, também vê espaço para ganhos ao longo da semana, mas "de maneira seletiva, gradual e sem comprar ativos a qualquer preço depois da euforia inicial".

Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV, espera que o capital estrangeiro acelere as compras na Bolsa em um primeiro momento. Para ele, a manutenção dos ganhos vai depender de Flávio, se eleito, apresentar com sua equipe um plano fiscal consistente. Letícia Albuquerque, head de Soluções de Investimentos da Tivio Capital, espera um fim de ano positivo, em um período que chama de "lua de mel", mas avisa que o mercado logo vai começar a cobrar medidas de ajuste fiscal. A Tivio está neutra em Bolsa, entre outros motivos porque considera fracos os resultados recentes das empresas.

A alta se concentra em setores ligados à economia doméstica e beneficiados por juros menores. Siqueira vê como possíveis destaques empresas menores e mais endividadas, além de companhias que passavam por dificuldades operacionais, e cita varejo e construção. Oliveira é mais cauteloso com esse grupo e vê oportunidades em empresas domésticas sensíveis aos juros, desde que tenham balanços sólidos, e em infraestrutura e concessões. A lista de Corano inclui bancos, incorporadoras, construtoras, varejistas de maior qualidade, shoppings, educação e empresas endividadas com finanças saudáveis. Entre as ações que ficam para trás, as mais citadas são as de exportadoras e de empresas defensivas, como Vale e Suzano.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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