Como 'power couples' da política alçaram primeiras-damas novatas ao Senado
Das 12 senadoras eleitas neste ano em todo o país, sete têm vínculos familiares com políticos que ocupam ou ocuparam cargos de primeiro escalão no Executivo — como prefeito, governador ou presidente. O dado faz parte de levantamento exclusivo feito para a BBC News Brasil pelo Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada (LAPPCOM). Em 2018, quando também estavam em disputa dois cargos de senador por Estado, apenas duas das sete eleitas (28,6%) tinham esse tipo de vínculo. Neste ano, o percentual subiu para 58,3%.
Quatro das eleitas são ex-primeiras-damas e nunca ocuparam cargo eletivo. É o caso de Marina JHC (PSDB-AL) e Rayssa Furlan (Podemos-AP), casadas com os governadores recém-eleitos em primeiro turno João Henrique Caldas (PSDB) e Dr. Furlan (PSD). A lista inclui ainda Michelle Bolsonaro (PL-DF), casada com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e Gracinha Caiado (União Brasil-GO), esposa do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, derrotado no primeiro turno na disputa à Presidência. Em Alagoas, Marina JHC tem como primeira suplente a sogra, Dra. Eudócia, e seu marido apareceu ao lado do nome dela nas urnas. No Amapá, o primeiro suplente de Rayssa é o cunhado, Neto Furlan, irmão do governador.
As outras três senadoras com vínculos familiares são Teresa Surita (MDB-RR), ex-mulher de Romero Jucá; Marília Arraes (PDT-PE), neta de Miguel Arraes, prima de Eduardo Campos e irmã da deputada federal Maria Arraes; e Mara Rocha (Republicanos-AC), irmã do ex-deputado federal Major Rocha. Cinco das sete são de partidos considerados de direita pelo levantamento, uma de centro e uma de esquerda.
Coordenadora do LAPPCOM e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mayra Goulart explica que a eleição para o Senado é majoritária e tem o Estado como distrito, o que a associa a uma relação de apoio ou oposição ao governador. "A candidatura ao Senado exige a capacidade de penetrar em diferentes territórios do Estado. E quando você se associa a um nome forte naquele Estado, tem maior facilidade de fazer seu nome chegar a diferentes redutos e municípios", afirma. Para ela, o fato de as esposas serem justamente as estreantes "relativiza a ideia de renovação, uma vez que elas já trazem consigo um capital familiar".
A pesquisadora também aponta o investimento de partidos de direita na formação de quadros femininos como possível explicação para o avanço. Michelle Bolsonaro presidiu o PL Mulher de março de 2023 a junho deste ano. Procuradas, as quatro senadoras novatas eleitas responderam apenas por meio de Gracinha Caiado, segundo a reportagem. "Conexões familiares, por si só, podem ser boas ou ruins. No nosso caso, essa relação sempre foi muito positiva e de resultados para o povo goiano", afirmou a senadora eleita, que disse ter "trajetória própria" e que pretende ser avaliada por suas ações.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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