Como instituto de André Mendonça conseguiu R$ 10,7 milhões em dois anos com contratos públicos
Instituto fundado por André Mendonça soma R$ 10,7 milhões em contratos públicos em dois anos
O Instituto Iter, fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, firmou 28 contratos com órgãos públicos de todo o país que somam R$ 10,7 milhões em pouco mais de dois anos de atividade. O levantamento, feito pela BBC News Brasil com base no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), identificou que todos os contratos foram assinados com dispensa ou inexigibilidade de licitação — modalidades previstas em lei que não indicam, por si só, irregularidades.
Os contratos preveem a oferta de cursos em áreas que vão da gestão administrativa à segurança pública. Entre os clientes estão os governos de São Paulo, Rio de Janeiro e Piauí, prefeituras e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). O instituto foi criado em novembro de 2023, quase dois anos depois de Mendonça assumir vaga no STF por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro e sua mulher, Janey Nagliatti de Mendonça, eram detentores de cotas por meio de uma sócia, a Integre Cursos e Pesquisa em Estado de Direito Governança Global LTDA. Janey chegou a ser administradora da entidade quando o Iter foi registrado em São Paulo, em 2024.
Na quinta-feira (3/9), Mendonça divulgou nota afirmando que decidiu deixar a sociedade no dia anterior e que ele e a mulher cederam suas cotas sem contrapartida financeira. O Instituto Iter confirmou a saída e afirmou que não houve distribuição de lucros ou dividendos ao longo dos dois anos de atividade. Segundo a Receita Federal, o único sócio atual é Victor Godoy Veiga, ex-ministro da Educação no governo Bolsonaro, que aparece como CEO. Outros sócios da fase de criação incluem assessores que atuam com Mendonça no STF e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O primeiro contrato registrado foi assinado em maio de 2024, no valor de R$ 11,5 mil, para um curso sobre a nova Lei de Licitações. No primeiro ano, foram cinco contratos que somaram R$ 400 mil. Em 2025, o volume saltou para 13 contratos, totalizando R$ 4,1 milhões. Até setembro de 2026, o instituto já havia fechado dez contratos no valor de R$ 6,2 milhões — mais do que a soma dos dois anos anteriores. O maior contrato identificado, de R$ 1,2 milhão, foi assinado em julho de 2025 com o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo (Cioeste), que reúne 14 municípios, para cursos e palestras em direito e administração pública.
O interesse pelos contratos do instituto cresceu depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório que aponta supostas mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O caso gerou crise no STF e Mendonça pediu que um pedido de investigação sobre Moraes seja analisado pelo plenário do tribunal. Moraes ainda não se manifestou sobre o relatório.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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