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Com El Niño, açúcar pode ser a commodity “super quente” de 2027, diz ex-Wilmar

Atualizado em 14/09/2026 às 19:10 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O ex-diretor de operações de açúcar da Wilmar International, Jean-Luc Bohbot, afirmou à Reuters que a combinação entre a anomalia climática do El Niño e a redução dos estoques de açúcar na Índia pode criar as condições para um mercado "super quente" em 2027. Segundo ele, o cenário atual pode desencadear um dos mercados mais altistas dos últimos 20 anos.

Bohbot, que deixou a Wilmar no início deste ano após 15 anos na empresa de comercialização e processamento de commodities com sede em Cingapura, disse que o último terço da safra brasileira, maior produtora mundial, provavelmente será afetado pelo excesso de chuvas. Já a Índia, segunda maior produtora, poderá ser forçada a importar volumes substanciais.

Na avaliação do ex-executivo, isso deve levar a novos picos de preço, mesmo após a alta de 20% registrada em agosto. "Os riscos (de escassez) não diminuíram durante a alta; pelo contrário, aumentaram", afirmou. Ele acrescentou que a Índia teve uma monção mediana e irregular, combinada com estoques muito baixos e um déficit local de oferta e demanda. "As exportações desaparecerão completamente, e a Índia poderá, em vez disso, se tornar uma importadora ainda maior em 2027."

O governo indiano permitiu importações isentas de impostos este ano para melhorar o abastecimento local e tentar moderar os preços. Bohbot também afirmou que o clima quente e seco prejudicou a produção na Europa e na Indonésia, e que a produção na Tailândia, segundo maior exportador mundial, cairá porque alguns agricultores passaram a cultivar mandioca.

Segundo ele, o processamento da cana sofreu atrasos devido às chuvas em um volume equivalente a cerca de 25 milhões de toneladas no Brasil. As previsões de mais chuvas em setembro sugerem que o atraso atual pode não ser recuperado e pode aumentar. A produção brasileira de açúcar poderá cair de 3 a 5 milhões de toneladas este ano em relação à safra passada, caso as chuvas continuem em outubro e novembro.

Bohbot disse ainda que os consumidores, em grande parte, perderam a alta e continuam com preços abaixo do valor de mercado, enquanto os produtores estão agora muito mais bem protegidos. Após o vencimento do contrato de outubro, os fundos poderiam ter um campo relativamente aberto para os próximos meses. Um fator de baixa de menor importância para o mercado é a situação no Oriente Médio, devido a uma queda esperada no consumo de açúcar na região em meio à ação militar.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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