Cinco fatores que podem definir as eleições de meio de mandato nos EUA
Os eleitores americanos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para renovar as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado. Pela primeira vez desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso. As principais pesquisas de intenção de voto apontam os democratas como favoritos na Câmara e dão ao partido chances menores, mas concretas, no Senado.
Os republicanos têm hoje maioria de 218 cadeiras na Câmara e 53 no Senado, além de dois congressistas independentes que costumam votar com a oposição. Modelos de projeção como o Decision Desk HQ dão aos democratas cerca de 80% de chance de vencer na Câmara e aproximadamente 60% no Senado. No Senado, a conta é mais apertada: não bastaria igualar o número de cadeiras dos republicanos, porque, em caso de empate em um plenário dividido, o voto decisório cabe ao vice-presidente americano, cargo ocupado por JD Vance. Com maioria na Câmara, a oposição passaria a comandar comissões importantes, como a de Relações Exteriores. Uma eventual maioria democrata também poderia abrir processo de impeachment contra Trump — a abertura exige maioria simples na Câmara, mas a condenação depende de 67 votos no Senado.
O custo de vida aparece como tema central. Antes do início da guerra no Oriente Médio, em fevereiro deste ano, o galão de gasolina nos EUA custava pouco menos de US$ 3; dados da associação automobilística AAA apontam cerca de US$ 4,30 em outubro. O Irã fechou a circulação no Estreito de Ormuz, uma das principais vias de escoamento de petróleo do mundo, e a Rússia passou a segurar as exportações de diesel. Em setembro, a inflação ao consumidor acelerou para 3,7% em doze meses. Para o historiador James N. Green, presidente do Conselho Diretivo do Washington Brazil Office, controlar a inflação e o alto custo de vida é o fator mais importante para o eleitorado.
O conflito contra o Irã é apontado como o principal fator externo para a perda de popularidade de Trump. Para o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, a guerra é determinante porque, desde os últimos meses, o preço da energia e dos fertilizantes subiu muito, e o Congresso tende a ser mais crítico em relação ao conflito. No front comercial, a Suprema Corte decidiu por 6 votos a 3, em fevereiro, que a lei de emergência econômica usada por Trump não autoriza a criação de tarifas; o governo substituiu as taxas derrubadas por outras, baseadas em leis comerciais, e o Brasil passou a pagar uma tarifa própria de 25%. Barbosa avalia que, se perder o controle de uma ou das duas Casas, a questão do tarifaço será questionada, por ser competência do Congresso. Uma lei para revogar as tarifas precisaria de aprovação no Congresso e enfrentaria o veto presidencial, que exigiria dois terços das duas Casas para ser derrubado.
A imigração completa a lista de eixos do pleito. As prisões do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) entraram na disputa pelo voto latino. Segundo Green, boa parte das pessoas detidas não cometeu nenhum crime além de entrar nos Estados Unidos e permanecer além do tempo permitido. Para o historiador, a repressão contra a comunidade latino-americana chocou e mudou a opinião pública, e a maioria da população é contrária à política migratória de Trump.
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