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Caso Master: mensagens entre Vorcaro e diretor da Globo colocam independência jornalística sob escrutínio

Atualizado em 16/10/2026 às 18:10 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelaram conversas com Frederic Kachar, então diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo. Os diálogos tratam de pedidos de reportagens, negociações comerciais, patrocínios e reclamações sobre conteúdos jornalísticos. Após ter acesso ao material, referente ao período de outubro de 2023 a julho de 2025, o Grupo Globo classificou como inadequada a relação do executivo com o anunciante e anunciou seu desligamento em 15 de outubro de 2026, reafirmando compromisso com a ética, a transparência e a independência editorial. A empresa informou que o substituto seria anunciado posteriormente e mencionou os 29 anos de atuação de Kachar no grupo.

Entre os episódios relatados pela imprensa, Vorcaro teria pedido atenção editorial para Martha Graeff, sua então namorada, e para a marca Happy Aging, ligada a ela. Kachar teria respondido que uma capa da Vogue exigiria processo mais longo, mas citou outras possibilidades de publicação, afirmando que pautaria conteúdos para Vogue, Marie Claire e Ela. Dias depois, esses veículos publicaram matérias sobre Graeff ou a Happy Aging. A coincidência temporal, por si só, não demonstra relação causal nem comprova que os conteúdos tenham sido publicados em troca de vantagens comerciais.

As conversas também mencionam negociações comerciais, entre elas um patrocínio de R$ 825 mil do Banco Master ao Baile da Vogue de 2024 e R$ 1,6 milhão relacionado ao camarote da editora no Carnaval de 2023, além de propostas envolvendo marcas como Happy Aging e Desinchá. Patrocínios e contratos publicitários não são, por si, irregulares e integram o modelo de negócios de grandes grupos de comunicação. O problema surge quando não há separação clara entre a área comercial e a produção editorial, ou quando a proximidade com anunciantes cria a percepção de acesso privilegiado à pauta.

Os diálogos indicam ainda que Vorcaro reclamava de conteúdos jornalísticos e que Kachar teria respondido que conversaria com jornalistas ou trataria das questões apresentadas. Parte das mensagens usou expressões codificadas, como referências à “guerra da Ucrânia” e à “bomba na Rússia”, associadas, segundo relatos da imprensa, a encontros ou festas privadas. Vorcaro negou envolvimento em suposta rede de prostituição ou exploração sexual, afirmou que as mensagens foram retiradas de contexto e questionou a violação de sua privacidade. Suspeitas criminais exigem apuração própria e respeito à presunção de inocência.

O conteúdo divulgado não responde sozinho a todas as questões. Permanecem em aberto pontos como os critérios editoriais que justificaram as publicações sobre Graeff e a Happy Aging, as regras que separavam as áreas comercial e jornalística, a forma de aprovação dos patrocínios citados e os procedimentos adotados pelo grupo para apurar a conduta do executivo e prevenir situações semelhantes. A saída do dirigente é medida administrativa e não constitui, isoladamente, prova de manipulação de reportagens.

Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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