Caso Ana Clara revela atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos
Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos quando foi morta por disparos de fuzil, em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa, ao lado do irmão de dois anos, na comunidade do Monan Pequeno, em Niterói (RJ). Segundo a denúncia do Ministério Público, o disparo partiu da arma do policial militar Bruno Dias Delaroli, que participava de patrulhamento na região. O caso levou à prisão preventiva do agente, acusado de homicídio.
Cinco anos depois, Ana Clara ainda aguarda justiça, e a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na defesa do policial tornou-se um dos episódios mais controversos de sua trajetória política. O senador integrou formalmente a equipe de defesa e, em 2024, assinou recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinava o julgamento de Delaroli pelo Tribunal do Júri. O recurso foi rejeitado, e o acusado continuou sujeito ao júri. Delaroli chegou a ser preso preventivamente em fevereiro de 2021 e, segundo a decisão judicial divulgada à época, também respondia a outro caso de homicídio. Posteriormente, passou a responder ao processo em liberdade. Até outubro de 2026, não havia sido julgado pela morte de Ana Clara.
Durante o debate presidencial da Band, Lula questionou Flávio sobre sua participação no caso. O senador respondeu que a advocacia não poderia ser criminalizada e argumentou que todo acusado tem direito à ampla defesa e ao contraditório. A atuação de um advogado em favor de um réu não significa concordância com o crime atribuído a ele, mas a controvérsia envolve também a relação entre o discurso público do senador, favorável ao endurecimento das penas e à ampliação do poder policial, e sua atuação profissional no processo.
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