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Caracas está assustadoramente segura. Esquadrões da morte do Estado garantiram isso

Atualizado em 18/10/2026 às 10:50 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A sensação de segurança em Caracas mudou de forma acentuada nos últimos anos. A taxa de homicídios despencou, assaltos de rua se tornaram raros e os sequestros — tanto os prolongados com pedidos elevados de resgate quanto os chamados sequestros-relâmpago — praticamente desapareceram. Miguel Dao, negociador profissional de sequestros e ex-diretor do equivalente venezuelano do FBI, chegou a trabalhar na libertação de três reféns diferentes em um único dia. Há três anos não participa de uma única negociação desse tipo. Crítico do governo autoritário do país, ele classificou a redução da criminalidade como uma “conquista sob qualquer critério”.

Segundo investigadores das Nações Unidas, porém, a melhora dos indicadores teve entre seus fatores uma campanha de esquadrões policiais que, ignorando o sistema judicial, executou milhares de jovens pobres — o grupo demográfico mais propenso a ingressar em gangues criminosas. As forças de segurança venezuelanas mataram ao menos 6.856 pessoas em apenas 18 meses entre 2018 e 2019, conforme os investigadores, e com frequência manipulavam cenas de crime para simular resistência à prisão. A migração em massa também contribuiu, já que integrantes dessas organizações representaram uma pequena parcela dos milhões de venezuelanos que deixaram o país durante o colapso econômico.

Há cerca de uma década, o então presidente Nicolás Maduro lançou as chamadas Operações de Libertação do Povo, com incursões policiais altamente militarizadas em áreas de baixa renda. As mortes eram justificadas sob a expressão burocrática de “resistência à autoridade”. O Tribunal Penal Internacional abriu investigação própria, mas em julho a Venezuela anunciou sua retirada da corte. Especialistas em direito afirmam que o tribunal continua tendo jurisdição sobre os crimes investigados, mesmo diante da tentativa de retirada.

Familiares de vítimas ainda tentam reconstruir suas vidas. Millanyela Fernández, de 46 anos, empregada doméstica, afirmou que seu filho, Richard Jesús Briceño, tinha 23 anos e não possuía antecedentes criminais quando uma unidade policial invadiu o bairro de La Vega, em 2021, e o matou diante dela. “Eles obrigaram meu filho a se ajoelhar e atiraram diretamente no peito dele, atravessando o coração”, contou.

Em janeiro, a nova líder venezuelana, Delcy Rodríguez, fez uma rara referência à melhora da segurança ao afirmar que a taxa de homicídios havia caído para 3 mortes por 100 mil habitantes em 2025. O governo não apresentou dados que comprovem a afirmação, e faz anos que as autoridades deixaram de divulgar estatísticas abrangentes sobre criminalidade. O criminólogo Luiz Izquiel atribui o silêncio sobre o tema aos métodos brutais usados para reduzir os índices. Outros fatores também pesaram: com o colapso econômico, muitas pessoas passaram a ter menos bens para serem roubados, e a adoção informal do dólar e dos meios eletrônicos de pagamento reduziu a circulação de dinheiro em espécie. Rodríguez anunciou recentemente um plano para remover postos de controle policiais em cidades venezianas, eliminando potencialmente um importante elemento de dissuasão.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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