'Caótico' e 'tenso': o que imprensa internacional disse sobre debate
O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado no domingo pela Band, foi destaque na imprensa internacional. Os dois candidatos não haviam participado de debates até agora nesta eleição e aparecem empatados na corrida, segundo o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, a uma semana da votação final.
A versão em inglês do jornal francês Le Monde noticiou que os candidatos "trocaram insultos" e descreveu o confronto como um "embate caótico". Segundo a publicação, os dois se chamaram de mentiroso em diversas ocasiões, acusaram-se mutuamente de corrupção e trouxeram à tona escândalos, o que "sintetizou o tom de uma campanha eleitoral acirrada em uma nação profundamente polarizada". O jornal destacou ainda que Flávio Bolsonaro tentou desestabilizar Lula ao caminhar de um lado para o outro atrás dele durante o debate, sob o olhar das câmeras, balançando a cabeça e exibindo um sorriso irônico. Lula, por sua vez, esforçou-se para controlar a irritação e pediu repetidamente aos espectadores que pesquisassem no Google para comprovar que o adversário mentia.
O argentino Clarín afirmou que o debate foi marcado por um "clima de tensão". De acordo com o jornal, os candidatos trocaram acusações de suposta corrupção, com Lula tentando assumir a dianteira — uma estratégia para recuperar pontos após ter perdido o primeiro turno de forma surpreendente. Já o também argentino La Nación escreveu que "Milei e a corrupção marcaram o debate áspero entre Bolsonaro e Lula" e avaliou que houve "pouquíssimas propostas e pouco debate sobre políticas públicas", com ambos apostando na mesma estratégia de aumentar a rejeição ao adversário.
O espanhol El País trouxe na manchete de uma reportagem a descrição de "um Lula tecnocrata diante de um Bolsonaro provocador". Segundo o jornal, os candidatos protagonizaram um confronto de alta tensão, no qual o senador buscou irritar um presidente que desperdiçou a oportunidade de romper o empate. Em outro texto, afirmou que o confronto direto "não demorou a esquentar e foi marcado por ataques".
A rede do Catar Al Jazeera relatou que os candidatos trocaram uma série de ataques pessoais durante o primeiro debate. De acordo com a emissora, Lula chamou Flávio Bolsonaro de "mentiroso contumaz" e "bandido", manteve distância física do rival no palco e o classificou como "miliciano", em alusão a supostos vínculos com grupos paramilitares do Rio de Janeiro. Já Flávio Bolsonaro, que segundo a Al Jazeera liderou o primeiro turno com 47% contra 45% de Lula, disse que era melhor manter o adversário à distância.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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