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“Bomba-relógio”: Indonésia vive momento mais delicado desde 1998, dizem economistas

Atualizado em 20/10/2026 às 09:20 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A economia da Indonésia, antes vista como um porto seguro entre os mercados emergentes, dá sinais claros de deterioração e, segundo economistas, atravessa seu momento mais delicado desde a crise financeira asiática de 1998. A situação de Novri Putra, de 28 anos, ilustra o quadro: formado em tecnologia da informação no ano passado, ele sonhava com um emprego estável como desenvolvedor, mas hoje trabalha como motorista de mototáxi por aplicativo e ganha cerca de US$ 220 por mês.

O mal-estar se soma aos efeitos da guerra no Irã e das tarifas impostas pelos Estados Unidos, em um cenário de inflação em alta e escassez de combustíveis em diversas cidades. Políticas adotadas pelo presidente Prabowo Subianto, na avaliação de especialistas, têm agravado os problemas ao enfraquecer instituições e levantar dúvidas sobre a condução econômica. Na sexta-feira, a MSCI, provedora global de índices, alertou que poderia retirar o país de seus índices de referência, e a Bolsa local registrou a maior queda diária desde 1998, recuando mais de 11%. Na segunda-feira, as vendas continuaram, com baixa adicional de 3,6%.

Os indicadores sociais também preocupam. A população considerada de classe média encolheu cerca de 19% em relação ao pico anterior, a taxa de poupança das famílias de baixa renda despencou e o desemprego entre os jovens gira em torno de 17%, um dos mais altos da Ásia. "É uma bomba-relógio", afirmou Ferry Latuhihin, ex-economista-chefe do Bank International Indonesia. "Ninguém imaginava, em 1997, que Suharto cairia por causa do mau funcionamento da economia. Acredito que a mesma história pode acontecer com este governo."

Analistas não esperam que a turbulência se espalhe para os vizinhos. Phillip Wool, da Rayliant, afirma que as preocupações da MSCI estão restritas ao país, que representa uma pequena fatia das carteiras de investidores em mercados emergentes. Ainda assim, os efeitos podem ultrapassar as fronteiras: a Indonésia é a maior produtora mundial de óleo de palma e níquel e grande exportadora de carvão térmico, cobre e gás natural, de modo que uma crise poderia afetar cadeias globais de produção e pressionar preços internacionais de alimentos, bens de consumo e energia.

Investidores também questionam a transparência do governo. A MSCI citou a "falta de aplicação efetiva de medidas contra manipulação de mercado" ao justificar o alerta, emitido após Moody's e Fitch reduzirem a perspectiva da nota de crédito do país de estável para negativa neste ano. A Bolsa indonésia acumula queda próxima de 40% em 2026, e a rupia ultrapassou a marca de 18 mil unidades por dólar. A saída de figuras-chave aumentou a insegurança: em setembro de 2025, Prabowo removeu Sri Mulyani do Ministério das Finanças, e em julho deste ano o presidente do banco central deixou o cargo de forma repentina.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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