Bolsonaristas comemoram circulação de foto falsa de mulher usando drogas, associada indevidamente a uma manifestação de Lula: “Tá dando muito certo, fazendo estrago. Continuem espalhando”
Grupos e canais bolsonaristas no WhatsApp e no Telegram têm celebrado a repercussão de uma imagem falsamente associada à manifestação de apoio ao presidente Lula, realizada no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo. O registro mostra uma jovem supostamente consumindo drogas e foi usado para atacar os participantes do ato, embora tenha sido publicado na internet antes da manifestação e não tenha sido produzido no Brasil.
Mesmo depois de a associação enganosa ter sido desmentida, integrantes desses espaços continuaram incentivando a circulação do conteúdo. Em uma das mensagens obtidas pelo portal, um participante escreveu: “Tá dando muito certo, fazendo estrago. Continuem espalhando”. Em outras conversas, integrantes comemoravam que a publicação estava “fazendo efeito”, tratando a repercussão como resultado positivo para a disputa eleitoral.
A desinformação também foi compartilhada por figuras de destaque do bolsonarismo, entre elas o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ambos divulgaram publicações que associavam indevidamente as imagens à mobilização na Avenida Paulista. O registro, no entanto, já circulava anteriormente em publicações de outros países, o que desmente a alegação de que teria sido produzido durante o ato.
Na segunda-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a remoção de publicações que estabeleciam essa associação enganosa. A decisão buscou impedir que o conteúdo continuasse sendo apresentado como registro da manifestação. Apesar disso, mensagens incentivando sua disseminação permaneceram em circulação nos grupos e canais monitorados.
O episódio evidencia como imagens retiradas de seu contexto original podem ser usadas para construir narrativas falsas sobre acontecimentos políticos. Também mostra que a remoção de publicações em perfis públicos não necessariamente interrompe sua circulação em aplicativos de mensagens, onde conteúdos podem continuar sendo encaminhados mesmo depois de desmentidos. O material obtido não permite afirmar que essas conversas tenham sido coordenadas pelas campanhas ou pelos políticos que compartilharam a publicação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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