Bispo Twal: a Jordânia é uma mensagem de convivência
Bispo Twal: a Jordânia é uma mensagem de convivência
Em entrevista à mídia vaticana, o bispo Iyad Twal, vigário patriarcal latino para a Jordânia, descreveu o país como um "oásis de paz" em meio aos conflitos no Oriente Médio. Twal está em Roma para participar dos trabalhos da Conferência dos Bispos Latinos das Regiões Árabes (Celra). Segundo ele, a Jordânia, de maioria muçulmana, abriga cerca de 3,5 milhões de refugiados em uma população de 11 milhões, com os cristãos vivendo como cidadãos plenos e respeitados.
O bispo falou sobre os impactos da guerra entre os EUA e o Irã em seu país. "Geograficamente, a Jordânia está no meio", disse. "Com o governo e o rei, tentamos manter a normalidade da vida cotidiana. Não fechamos as escolas, as universidades... continuamos vivendo." Twal acrescentou que houve aumento de preços e uma desaceleração no turismo, inclusive o religioso, mas que a posição central também ajuda o país a manter uma relação de moderação com todos.
Próximo ao povo palestino, o vigário afirmou que os cristãos da Jordânia se sentem parte dessa realidade, já que integram a Diocese da Terra Santa, do Patriarcado Latino de Jerusalém. "Eles são nossos irmãos, são nossas irmãs, e vivemos juntos a dura realidade do que está acontecendo", disse. Ele citou uma iniciativa que trouxe doze jovens de Gaza, que concluíram o ensino médio em uma escola local, para estudar na universidade de Madaba, na Jordânia. "Se não houver justiça e paz para o povo palestino, viveremos sempre em crise", afirmou, mencionando ainda a expectativa por "um sopro novo" após as eleições nos lados israelense e palestino.
Sobre o papel da fé, Twal defendeu que a religião deve ser a solução, e não o problema. "Acreditar em Deus é uma forma de se aproximar do outro. A Terra Santa não é santa por causa das pedras, é santa porque os homens vivem a santidade", disse. Ele reforçou a importância da presença cristã na região como missão e vocação, lembrando palavras do Papa sobre a fidelidade a Deus e o testemunho em meio à diversidade.
Por fim, o bispo falou sobre os preparativos para o bimilenário do Batismo de Jesus, em 2030, no local identificado em Al-Maghtas, além do Jordão. Segundo ele, o rei criou uma comissão nacional e há investimento de quase 120 milhões de dólares para construir uma vila próxima ao local. "Estamos pensando em propor um percurso bíblico a cada ano, daqui até 2030, que gire em torno dos grandes profetas da Jordânia: Moisés, Elias e João Batista", disse. Para Twal, a Jordânia é um exemplo de convivência pacífica entre religiões. "A riqueza que temos — as religiões, as culturas, a diversidade no Oriente Médio — é uma riqueza para toda a humanidade", concluiu.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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