Bispo de Fresno condena fiscalização migratória agressiva na Califórnia
O bispo Joseph Brennan, da Diocese de Fresno, na Califórnia, divulgou uma carta pastoral em outubro de 2026 na qual alerta para o clima de medo e ansiedade provocado por operações de imigração no Vale Central do estado. Segundo o líder religioso, paroquianos e famílias inteiras vêm sendo afetados por detenções abruptas, e a Igreja não permanecerá em silêncio diante dessas ações.
Na avaliação de Brennan, as operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) geram pânico entre os moradores da região. Ele relata que muitos fiéis que frequentam as paróquias regularmente foram levados sem aviso prévio e descreve essas pessoas como vizinhos, amigos e familiares com raízes profundas na comunidade há muitos anos. Para o bispo, a forma como as detenções ocorrem desconsidera a dignidade humana e trata indivíduos produtivos como ameaças indistinguíveis.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) não confirmou operações específicas na região, mas um porta-voz defendeu as atividades de rotina da agência. A justificativa oficial é que os agentes do ICE atuam para garantir a segurança pública ao prender criminosos condenados, como homicidas, traficantes e membros de gangues. O órgão apresentou uma lista de cinco prisões recentes na Califórnia envolvendo crimes graves para ilustrar a necessidade da fiscalização, sustentando que os oficiais agem dentro da lei federal para remover ameaças reais da sociedade americana.
A posição da Igreja Católica nos Estados Unidos, reforçada pela Conferência dos Bispos Católicos (USCCB), é de oposição à deportação em massa e indiscriminada. Brennan reiterou que a dignidade humana é um dom divino e não depende de documentos legais ou de status econômico. Ele argumenta que, embora o Estado tenha o direito de aplicar suas leis, as operações atuais parecem ignorar o impacto humano devastador, e defende que o foco deveria estar na reforma do sistema, e não em ações que arrancam trabalhadores e pais de família de seus lares de forma abrupta.
A Diocese de Fresno planeja acompanhar os vizinhos vulneráveis por meio de ações concretas, que incluem conforto espiritual, auxílio logístico e apoio jurídico. O bispo orientou as igrejas a ajudar as famílias em processos legais longos, organizar transporte para tribunais de imigração e providenciar cuidados infantis para os filhos daqueles que forem detidos, com o objetivo de evitar que alguém enfrente a situação em isolamento. As lideranças religiosas também prometem continuar pressionando os funcionários eleitos por uma reforma migratória justa e definitiva.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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