Bispo coreano: a fé nasce de um encontro, mesmo em tempos de IA
Bispo coreano: a fé nasce de um encontro, mesmo em tempos de IA
Dom Germanus Kwak Jin-Sang, bispo auxiliar da Diocese de Suwon, na Coreia do Sul, afirmou que a fé cristã continua nascendo de um encontro pessoal, mesmo em uma época marcada pelo avanço da inteligência artificial e pela comunicação mediada por telas. A declaração foi feita em entrevista à Agência Fides, durante sua participação em Roma no curso de formação para novos bispos promovido pelo Dicastério para a Evangelização.
Segundo o prelado, a Igreja pode utilizar as novas tecnologias para alcançar as pessoas, mas sem permitir que o mundo virtual substitua a experiência real de comunidade, liturgia e encontro com Cristo. Ele destacou que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil, mas não deve levar à confusão entre o virtual e o real. O mesmo princípio vale para as redes sociais, que podem criar a impressão de proximidade, embora muitas vezes produzam apenas contatos rápidos e mediados por uma tela.
A reflexão do bispo encontra raízes na própria história do cristianismo na Coreia. Nos primeiros tempos da Igreja no país, a fé foi transmitida principalmente de pessoa para pessoa por leigos que haviam entrado em contato com os textos cristãos. Em uma sociedade profundamente hierarquizada e influenciada pelo confucionismo, a mensagem de que todos os seres humanos pertencem a uma mesma família representava uma transformação profunda. Os primeiros cristãos passaram a acolher não apenas pessoas de sua própria condição social, mas também pobres, servos e marginalizados.
Para Dom Kwak, a liturgia ocupa um lugar particularmente importante nesse processo. A celebração não é apenas um momento para ouvir ensinamentos ou preservar uma tradição, mas uma experiência na qual a pessoa pode encontrar concretamente a realidade de Cristo. Vídeos curtos e conteúdos produzidos para as redes sociais podem despertar curiosidade e interesse, mas não substituem a experiência litúrgica. O bispo observa ainda que essa questão se relaciona ao desafio enfrentado pela Igreja diante do sucesso de determinadas comunidades evangélicas na Coreia do Sul, capazes de estabelecer uma comunicação mais direta e emocional com as pessoas.
A dimensão do encontro também estará no centro da preparação para a Jornada Mundial da Juventude de 2027, que será realizada em Seul. Para o bispo, o evento não deve ser entendido como uma iniciativa destinada exclusivamente aos jovens, mas como uma oportunidade de renovação da fé de toda a Igreja. Um dos elementos considerados mais importantes será a hospedagem de peregrinos em casas de famílias coreanas, especialmente durante a programação diocesana. Mais do que grandes eventos culturais, shows ou atrações relacionadas ao K-pop, a experiência de compartilhar alguns dias com uma família pode proporcionar um contato simples e profundo entre pessoas de diferentes países e gerações. Kwak incentiva inclusive os idosos a oferecerem um quarto aos peregrinos, sem se preocuparem excessivamente com diferenças de idade ou idioma: aplicativos de tradução podem ajudar, mas a hospitalidade e a presença humana permanecem fundamentais.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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