'Bela e poderosa': por que todos nós precisamos da gordura corporal
A gordura corporal é frequentemente tratada como algo a ser eliminado, mas especialistas alertam que ela desempenha funções biológicas essenciais e que sua ausência total pode ser prejudicial à saúde. Segundo a endocrinologista Elif Oral, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, "precisamos amar nossa gordura", pois ela cumpre um papel biológico importante.
Existem dois tipos distintos: a gordura alimentar, ingerida na comida, e a gordura corporal, forma que o organismo encontra para armazenar a energia de que não precisa. Quando se come mais calorias do que se gasta, as células de gordura, conhecidas como adipócitos, armazenam o excesso na forma de lipídios e aumentam de tamanho. Em vez de permanecerem passivas, essas células formam um órgão ativo que regula funções do corpo.
Entre essas funções está a comunicação. As células de gordura produzem hormônios que informam ao resto do corpo quanta energia há disponível e qual o grau de satisfação. O mais estudado é a leptina, que sinaliza ao cérebro que existe armazenamento suficiente, permitindo que o organismo se concentre em processos como reprodução e combate a infecções. A gordura também preserva o calor: a gordura branca armazena energia e age como isolante, enquanto a marrom e a bege queimam energia para produzir calor e manter a temperatura corporal.
Quando a gordura cai a níveis muito baixos por restrição severa de calorias, o corpo reage economizando energia e entra em modo de inanição. Sistemas começam a se desligar, incluindo a função imunológica, e, sem reservas, o organismo decompõe músculos e suspende a construção e os reparos dos ossos, o que resulta em fragilidade e maior risco de fraturas, segundo o professor Fredrik Karpe, da Universidade de Oxford. A falta de gordura também afeta hormônios e a saúde reprodutiva: homens extremamente magros podem ter queda de testosterona, e mulheres atletas com pouca gordura podem apresentar irregularidade ou interrupção da menstruação.
Não existe um percentual ideal universal de gordura corporal, pois as necessidades variam conforme sexo e etnia. De modo geral, homens adultos saudáveis costumam ter cerca de 10% a 20%; mulheres adultas saudáveis, cerca de 20% a 29%; e pessoas com obesidade apresentam índices acima de 30%. Em atletas, os valores tendem a ser mais baixos. Em um estudo com mais de 700 atletas, a pesquisadora Tamara Hew-Butler, da Universidade Estadual Wayne, encontrou os menores índices de 10% em um homem e 16% em uma mulher — resultado que surpreendeu participantes que acreditavam ter entre 1% e 2% de gordura.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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