As batalhas que mostram polarização histórica no Brasil: de atentado, às revoltas e guerras
A polarização política brasileira não é fenômeno recente. Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a disputa entre grupos rivais acompanha a história do país desde o fim do século 19, embora o cenário atual apresente características próprias, impulsionadas pelas redes sociais e pela lógica dos algoritmos.
O sociólogo Giuliano Salvarani, professor da ESPM, lembra que a história nacional sempre conviveu com polarizações — da dialética entre senhor e escravo à oposição entre monarquia e república, passando pela ditadura e pela democracia. Para ele, Lula e Jair Bolsonaro protagonizaram talvez a maior polarização da nova República. Já o historiador Fábio Ferreira, da UFF, distingue a divergência política legítima do ódio que busca aniquilar o adversário.
Uma República que nasce turbulenta
Logo após a Proclamação da República, em 1889, o país viveu embates intensos. A Revolução Federalista, também chamada de Guerra da Degola, opôs tropas do sul ao governo de Floriano Peixoto, que deixou cerca de 10 mil mortos. Na capital federal, a Revolta da Armada expressou o confronto entre Marinha e Exército. A repressão a esses movimentos rendeu a Peixoto a alcunha de "Marechal de Ferro".
O pesquisador Ely Carneiro de Paiva, da Unicamp, explica que as rivalidades da época iam além dos insultos: tratava-se de retirar a legitimidade do adversário, transformando-o em ameaça à República. Esse processo culminou no atentado contra o presidente Prudente de Morais, em 5 de novembro de 1897, durante cerimônia de recepção às tropas que haviam derrotado os revoltosos de Canudos. O jovem praça Marcelino Bispo de Melo apontou uma garrucha contra o presidente, mas não conseguiu atirar; o ministro da Guerra, marechal Carlos Machado de Bittencourt, morreu ao tentar deter o agressor.
Segundo Paiva, o atentado alterou os rumos políticos do país: Prudente de Morais recuperou popularidade e fortaleceu a candidatura de seu sucessor, Campos Sales, que implantaria a Política dos Governadores e a arquitetura de poder das oligarquias estaduais. O material disponível não detalha os demais episódios citados na reportagem original.
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