Afeganistão, cinco anos depois: a emergência humanitária sob os talibãs
Cinco anos após o retorno do Talibã ao poder em Cabul, em 15 de agosto de 2021, o Afeganistão segue mergulhado em uma das crises humanitárias mais graves do mundo. Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, 21,9 milhões de pessoas precisarão de ajuda humanitária em 2026. Quase metade da população enfrenta fome, agravada por seca prolongada, declínio econômico e colapso de serviços essenciais.
A exclusão das mulheres é sistemática. De acordo com a UNESCO, 2,5 milhões de meninas estão fora do ensino secundário, proibidas desde março de 2022, e as universidades foram fechadas para mulheres jovens naquele ano. A agência estima que a negação do acesso à educação possa tirar 600 mil mulheres do mercado de trabalho até 2066, com perdas de US$ 9,6 bilhões. A isso somam-se repatriações em massa do Irã e do Paquistão, que entre setembro de 2023 e junho deste ano obrigaram 6 milhões de afegãos a voltar ao país, pressionando comunidades já vulneráveis.
Em comunicados oficiais, o governo talibã afirma que a assistência humanitária é bem-vinda, mas rejeita o que classifica como "interferência estrangeira" em assuntos internos. Autoridades locais têm repetidamente negado relatos de crise alimentar generalizada, atribuindo as dificuldades econômicas às sanções internacionais e ao congelamento de reservas do banco central afegão.
O regime também sustenta que as restrições à educação feminina são temporárias e condicionadas à implementação de um "ambiente islâmico adequado", embora não tenha apresentado cronograma público para a reabertura das escolas secundárias e universidades para mulheres.
O retorno talibã também reverteu conquistas de duas décadas em liberdade de imprensa e direitos civis. Jornalistas afegãos enfrentam censura crescente e detenções arbitrárias, enquanto manifestações públicas — especialmente de mulheres — são reprimidas com violência.
O regime talibã assumiu o controle do país após uma ofensiva relâmpago que culminou com a tomada de Cabul, levando à queda do governo anterior e à fuga de lideranças políticas. A comunidade internacional, por sua vez, condiciona o reconhecimento do governo talibã ao cumprimento de compromissos com direitos humanos, especialmente das mulheres e meninas.
Os dados citados sobre deslocamentos populacionais, restrições educacionais e necessidades humanitárias são provenientes de relatórios de organismos internacionais como a UNESCO e o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários. As declarações atribuídas ao governo talibã foram extraídas de comunicados oficiais divulgados por suas instituições.
As avaliações sobre a gravidade da crise e o impacto das políticas talibãs sobre as mulheres baseiam-se em dados quantitativos e relatórios de organismos internacionais citados ao longo do texto, como os da UNESCO e do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU. As declarações do regime sobre as restrições e a situação humanitária são apresentadas como posições oficiais, contrastando com os indicadores reportados pelas agências.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar