Ações da Argentina estão baratas, mas é hora de comprar? Veja o que levar em conta
O mercado acionário argentino vive um momento de contrastes, apontam analistas. As ações negociam com desconto relevante, a inflação desacelera, o governo mantém disciplina fiscal e os investimentos em energia e mineração avançam. Ao mesmo tempo, o crédito segue fraco, a atividade doméstica ainda não mostra recuperação consistente e as eleições presidenciais de 2027 começam a ganhar peso entre os investidores.
Para as duas casas, os ativos argentinos continuam baratos. O Itaú BBA afirma que as ações seguem negociando com desconto relevante em relação ao valor justo estimado pelo banco. Segundo a instituição, os preços atuais parecem compatíveis com prêmios de risco soberano entre 800 e 1.000 pontos-base, mesmo com o risco-país próximo de 600 pontos-base. Já o Bradesco BBI observa que o MSCI Argentina negocia a apenas 7,8 vezes o lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,4 vezes. O setor financeiro negocia próximo de 5,9 vezes lucro e cerca de 1 vez valor patrimonial, níveis considerados atrativos na comparação histórica.
Apesar do desconto, o BBI avalia que faltam catalisadores capazes de sustentar uma reprecificação mais ampla dos ativos e mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para a Argentina. A instituição reconhece que os valuations estão mais atrativos, mas aponta que os benefícios da estabilização ainda não se traduziram em recuperação ampla da demanda doméstica, do crédito e da confiança do consumidor. O crescimento real dos empréstimos desacelerou para 1,6% no terceiro trimestre, abaixo dos 4,7% do segundo trimestre, enquanto os indicadores de inadimplência seguem elevados e os depósitos continuam pressionados. Na avaliação do banco, uma recuperação mais significativa dos fundamentos bancários deve acontecer apenas em 2027.
Na frente política, o Itaú BBA vê a política como principal fator de volatilidade no curto prazo e divide a tese de investimento em três camadas: o "Surf", ligado às expectativas eleitorais; a "Maré", relacionada à política econômica; e a "Corrente", associada às vantagens estruturais do país. Indicadores como confiança no governo e spreads dos títulos soberanos seguirão funcionando como termômetros das expectativas para as eleições de 2027. O Bradesco BBI segue linha semelhante e, embora considere a reeleição de Javier Milei como cenário-base, avalia que o atraso na recuperação da atividade doméstica aumenta gradualmente a relevância de candidatos da oposição, especialmente Axel Kicillof.
Os bancos convergem ao ver oportunidades em setores ligados aos recursos naturais. O BBA argumenta que as vantagens estruturais do país continuam concentradas em agricultura; petróleo e gás; cobre e lítio. Segundo o banco, os grandes projetos anunciados sob o regime de incentivos ao investimento (RIGI) seguem nesses segmentos: os já confirmados somam cerca de US$ 50 bilhões, enquanto propostas em análise ultrapassam US$ 150 bilhões. O BBI também prefere empresas ligadas a energia e ativos reais, com dinâmica de lucros mais favorável que os setores domésticos tradicionais, e mantém como preferidas Banco Macro (BMA) e Vista Energy (VIST).
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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