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A perversão do Centrão

Atualizado em 25/08/2026 às 15:35 schedule 2 min de leitura visibility 24 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Centrão nasceu na Assembleia Constituinte de 1987/1988 como um agrupamento parlamentar organizado para conter propostas consideradas radicais e construir compromissos consensuais. A função original era moderar os polos e garantir o equilíbrio em um sistema político marcado pela fragmentação partidária, que tornou a negociação entre Executivo e Legislativo uma tarefa permanente.

Com o tempo, porém, essa vocação foi deformada. A negociação deixou de ter como objeto políticas públicas e projetos nacionais para se concentrar em cargos, verbas, emendas e mecanismos de autoproteção. O apoio parlamentar virou mercadoria, e o fisiologismo se tornou regra. O Centrão passou a ocupar uma posição confortável: não precisa disputar a Presidência para exercer poder, basta ser indispensável a quem estiver no Palácio do Planalto.

O resultado é um Congresso formalmente independente, mas submetido a uma rede de incentivos e constrangimentos. Quando investigações policiais e decisões judiciais são percebidas como instrumentos de pressão, o medo também vira moeda de negociação. A estabilidade política se confunde com a conservação de privilégios, e a palavra "centro" perde seu significado original.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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